Em 1966, a revista Realidade publicou uma longa reportagem sobre Roberto Carlos e a Jovem Guarda, afirmando que o mesmo comandava uma revolta da juventude, ao mesmo tempo em que ganhava muito dinheiro. Em resposta a essa reportagem, um leitor enviou a seguinte carta à redação:
“Li a reportagem sobre Roberto Carlos e achei um dever notificá-lo de que ele não comanda a juventude brasileira. Ele está à frente, apenas, de uma revolta inconsequente de certa parte da juventude. Mas também [há] a revolta consciente, dos que procuram uma situação melhor para nós e nossos semelhantes.”
Revista Realidade. São Paulo: Editora Abril, jul. 1966. Apud BRITO, ELEONORA. A música popular brasileira nos conturbados anos de chumbo: entre o engajamento e o desbunde. Projeto História, Dez/2011.
Sobre a visão do leitor, pode-se dizer que
identifica-se com Roberto Carlos, visto como um líder da juventude.
enxerga em Roberto Carlos um opositor da Ditadura, daí a inconsequência de sua revolta.
demonstra um grande conservadorismo ao não aceitar as mudanças nos costumes propostas pela Jovem Guarda.
contrapõe a revolta alienada de Roberto Carlos a uma revolta consciente, politizada.
defende a censura às músicas de Roberto Carlos, prática muito comum durante a Ditadura Militar.
Gabarito:
contrapõe a revolta alienada de Roberto Carlos a uma revolta consciente, politizada.
Solução: (D)
Típico posicionamento do militante de esquerda durante a Ditadura Militar, que enxerga na jovem guarda uma manifestação apolítica e, portanto, complacente com a repressão militar. O jovem consciente deveria se envolver com a música de protesto, esta sim consciente do seu papel na sociedade e contra a Ditadura.