(ENEM - 2016/ Adaptada)
Bons dias!
14 de junho de 1889
Ó doce, ó longa, ó inexprimível melancolia dos jornais velhos! Conhece-se um homem diante de um deles. Pessoa que não sentir alguma coisa ao ler folhas de meio século, bem pode crer que não terá nunca uma das mais profundas sensações da vida, — igual ou quase igual à que dá a vista das ruínas de uma civilização. Não é a saudade piegas, mas a recomposição do extinto, a revivescência do passado.
ASSIS. M. Bons dias! (Crônicas 1885-1839).
Campinas Editora da Unicamp, São Paulo: Hucitec, 1590.
O jornal impresso é parte integrante do que hoje se compreende por tecnologias de informação e comunicação. Nesse texto, o jornal é reconhecido como
objeto de devoção pessoal.
instrumento de reconstrução da memória.
ferramenta de investigação do ser humano.
veículo de produção de fatos da realidade.
Gabarito:
instrumento de reconstrução da memória.
[B]
*Questão adaptada para se encaixar no modelo de alternativas UNICAMP (4 itens).
Na crônica de 14 de junho, em “Bons dias!”, Machado de Assis discorre sobre a satisfação que sente ao ler jornais antigos. Na última frase do excerto, justifica essa sensação pelo fato de esse tipo de leitura lhe permitir a convivência com fatos ocorridos em contextos sociais de outras épocas, como ao olhar para ruínas: “Não é a saudade piegas, mas a recomposição do extinto, a revivescência do passado”. Assim, é correta a opção [B], pois, nesse sentido, o jornal é reconhecido como instrumento de reconstrução da memória.
Sobre as demais afirmativas
a) O comentário do cronista não de dirige a um gosto individual, o que se comprova pelo uso de frases mais genéricas e generalizantes: "Pessoa que não sentir alguma coisa ao ler folhas de meio século...". Fica implícito um gosto do próprio autor por esse gesto, mas o foco não é sua relação afetiva, e sim o potencial do jornal como instrumento de memória;
c) Machado não frisa a questão subjetiva, isto é, a possibilidade de investigação do "humano". Para ele, o jornal documenta o tempo, e por isso a leitura de jornais antigos funciona como uma viagem a outros contextos histórico-sociais;
d) o jornal não é visto sob a perspectiva da "produção de fatos", e sim do registro desses fatos, bem como seu arquivamento, como mecanismo de preservação do passado e possibilidade de contato e memória com fatos antigos.