(ENEM - 2022)
A senhora manifestava-se por atos, por gestos, e sobretudo por um certo silêncio, que amargava, que esfolava. Porém desmoralizar escancaradamente o marido, não era com ela.[…]
As negras receberam ordem para meter no serviço a gente do tal compadre Silveira: as cunhadas, ao fuso; os cunhados, ao campo, tratar do gado com os vaqueiros; a mulher e as irmãs, que se ocupassem da ninhada. Margarida não tivera filhos, e como os desejasse com a força de suas vontades, tratava sempre bem aos pequenitos e às mães que os estavam criando. Não era isso uma sentimentalidade cristã, uma ternura, era o egoísta e cru instinto da maternidade, obrando por mera simpatia carnal. Quanto ao pai do lote (referia-se ao Antônio), esse que fosse ajudar ao vaqueiro das bestas.
Ordens dadas, o Quinquim referendava. Cada um moralizava o outro, para moralizar-se.
PAIVA, M. O. Dona Guidinha do Poço. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s/d
No trecho do romance naturalista, a forma como o narrador julga comportamentos e emoções das personagens femininas revela influência do pensamento
capitalista, marcado pela distribuição funcional do trabalho.
liberal, buscando a igualdade entre pessoas escravizadas e livres.
científico, considerando o ser humano como um fenômeno biológico.
religioso, fundamentado na fé e na aceitação dos dogmas do cristianismo.
afetivo, manifesto na determinação de acolher familiares e no respeito mútuo.
Gabarito:
científico, considerando o ser humano como um fenômeno biológico.
a) Alternativa incorreta. Não há influência do pensamento capitalista na descrição das mulheres.
b) Alternativa incorreta. Não há essa busca por igualdade, mas sim um retrato dos comportamentos femininos.
c) Alternativa correta. O cientificismo foi muito forte no movimento naturalista, o que é perceptível quando o narrador trata as mulheres com seus instintos, quase como animais.
d) Alternativa incorreta. O trecho, inclusive, rejeita os dogmas do cristianismo.
e) Alternativa incorreta. Há uma esfera afetiva, mas ela é tratada de forma animalesca.