Questão 73433

(UFU - 2020 - 1ª FASE) Em A moratória de Jorge Andrade, Joaquim, o patriarca da família, repete várias vezes a frase “Nós somos o que fomos”, ou variações dessa mesma ideia. No entanto, essa afirmação do personagem é constantemente desmentida por outras personagens ou pelas circunstâncias do enredo.

A este respeito, assinale a alternativa que analisa de forma correta mudanças que atingem a família de Joaquim, mas que ele não aceita ou não percebe.

A

Fazendeiro sem fazenda, Joaquim tenta manter os vestígios do passado, plantando um jardim na casa simples, porém se angustia por não poder mais sustentar a família. Para desespero dele, o cabeça da casa passa a ser o filho Marcelo, com quem sempre teve conflitos políticos e emocionais.

B

Atingido pela crise do café, Joaquim perde a fazenda da família, enquanto esperava ser protegido pelo governo – o que era norma até então. O patriarca não percebeu que o novo governo pretendia mudar radicalmente o país, deixando, assim, de zelar pela preservação da antiga oligarquia cafeeira.

C

O sobrenome da família de Joaquim nem aparece na peça, indicando a perda de status que eles sofreram. Uma opção para se manterem na elite seria o casamento de Lucília com Olímpio, contudo Joaquim mantém o orgulho e proíbe a filha de se casar com o moço, um antigo inimigo político.

D

Desde o início, o público sabe o destino da família, mas é aos poucos que o enredo apresenta os detalhes da derrocada. É já no 3º ato que se revela como a dor de Joaquim é ainda maior porque a fazenda foi para as mãos de estranhos, ingleses que instalaram um frigorífico moderno no local.

Gabarito:

Atingido pela crise do café, Joaquim perde a fazenda da família, enquanto esperava ser protegido pelo governo – o que era norma até então. O patriarca não percebeu que o novo governo pretendia mudar radicalmente o país, deixando, assim, de zelar pela preservação da antiga oligarquia cafeeira.



Resolução:



Questão 2399

(UFU/MG)

Estou farto do lirismo comedido do lirismo bem comportado [...]
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
− Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

BANDEIRA, Manuel. Libertinagem.

Em relação aos versos citados do poema “Poética” e à obra Libertinagem, de Manuel Bandeira, marque a assertiva INCORRETA.

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Questão 2545

 (UFU-2006) Leia o trecho seguinte, de Triste fim de Policarpo Quaresma, que reproduz um diálogo de Ricardo Coração dos Outros com Quaresma e D. Adelaide.

“Oh! Não tenho nada novo, uma composição minha. O Bilac conhecem? (...)quis fazer-me uma modinha, eu não aceitei; você não entende de violão, Seu Bilac.

A questão não está em escrever uns versos certos que digam coisas bonitas; o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja. (...)

(...) vou cantar a Promessa, conhecem? Não disseram os dois irmãos. (...)h! Anda por aí como as ‘Pombas’ do Raimundo.”

 

Lima Barreto. Triste fim de Policarpo Quaresma.

 

Parta do trecho lido para marcar a alternativa INCORRETA.

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Questão 3019

(Ufu 2016)  O jardim já vai se desmanchando na escuridão, mas Cristina ainda vê uma gravata (cinzenta?) saindo do bolso vermelho. Quer gritar de novo, mas a gravata cala a boca do grito, e já não adianta o pé querer se fincar no chão nem a mão querer fugir: o Homem domina Cristina e a mão dele vai puxando, o joelho vai empurrando, o pé vai castigando, o corpo todinho dele vai pressionando Cristina pra mata. Derruba ela no chão. Monta nela. O escuro toma conta de tudo.

O Homem aperta a gravata na mão feito uma rédea. Com a outra mão vai arrancando, vai rasgando, se livrando de tudo que é pano no caminho.

Agora o Homem é todo músculo. Crescendo.

Só afrouxa a rédea depois do gozo.

Cristina mal consegue tomar fôlego: já sente a gravata solavancando pro pescoço e se enroscando num nó. Que aperta. Aperta mais. Mais.

 

BOJUNGA, Lygia. O abraço. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2014. p. 82

 

 

Instantes derradeiros de O abraço, a passagem narra encontro de Cristina com o ‘Homem’. Levando-se em conta o enredo da obra até seu desenrolar nesses momentos finais, Cristina

 

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Questão 3021

(UFU - 2016 - 1ª FASE)

 

DIONISOS DENDRITES

Seu olhar verde penetra a Noite entre tochas acesas

Ramos nascem de seu peito

Pés percutem a pedra enegrecida

Cantos ecoam tambores gritos mantos desatados.

 

Acorre o vento ao círculo demente

O vinho espuma nas taças incendiadas.

Acena o deus ao bando: Mar de alvos braços

Seios rompendo as túnicas gargantas dilatadas

E o vaticínio do tumulto à Noite –

Chegada do inverno aos lares

Fim de guerra em campos estrangeiros.

 

As bocas mordem colos e flancos desnudados:

À sombra mergulham faces convulsivas

Corpos se avizinham à vida fria dos valados

Trêmulas tíades presas ao peito de Dionisos trácio.

Sussurra a Noite e os risos de ébrios dançarinos

Mergulham no vórtice da festa consagrada.

 

E quando o Sol o ingênuo olhar acende

Um secreto murmúrio ata num só feixe

O louro trigo nascido das encostas.

 

SILVA, Dora Ferreira da. Hídrias. São Paulo: Odysseus, 2004. p. 42-43.

 

Ao evocar a mitologia, Dora Ferreira reativa em seu poema o mito de Dionisos. Nesse resgate do mito do deus Dionisos, o verso  

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