Questão 14589

(UEL - 2011)

Leia o texto a seguir.

Que seja, portanto, ele a considerar-se a si mesmo, que quando empreende uma viagem se arma e procura ir bem acompanhado; que quando vai dormir fecha suas portas; que mesmo quando está em casa tranca seus cofres; e isso mesmo sabendo que existem leis e funcionários públicos armados, prontos a vingar qualquer injúria que lhe possa ser feita.

HOBBES. Leviatã. Trad. J. P. Monteiro e M. B. N. da Silva. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 80.

O texto de Hobbes diverge de uma ideia central da filosofia política de Aristóteles.

Assinale a alternativa que identifica essa ideia aristotélica.

A

É inerente à condição humana viver segundo as condições adversas do estado de natureza.

B

A sociabilidade se configura como natural aos seres humanos.

C

Os homens, no estado civil, perdem a bondade originária do homem natural.

D

A insociável sociabilidade é característica imanente às ações humanas.

E

O Estado é incapaz de prover a segurança dos súditos.

Gabarito:

A sociabilidade se configura como natural aos seres humanos.



Resolução:

b) Correta. A sociabilidade se configura como natural aos seres humanos.
Para Aristóteles, o ser humano é um zoon politikon, isto é, ser político por natureza. Apesar da diferença entre sociedade e a política, pois a noção de que o homem é naturalmente político é distinta de ele ser naturalmente social, segundo o filósofo grego o ser humano é também um ser social, o que o diferencia da filosofia hobbesiana. Como o ser humano é dado a política, lhe é inerente também que seja dado a sociedade, sendo que, para Aristóteles, um homem que não vive em sociedade ou é um deus ou um animal, isto é, a natureza humana só se realiza plenamente na polis. Para Hobbes, a vida social não é natural, mas uma construção social e artificial que se dá após o estabelecimento do contrato.

 

a) Incorreta. É inerente à condição humana viver segundo as condições adversas do estado de natureza.
Essa posição configura a noção de Hobbes e não de Aristóteles. A questão cita a perspectiva de Hobbes e a compara brevemente com a teoria aristotélica, porém o comando requer a noção aristotélica, e não hobbesiana, em comparação a esta, o que pode confundir o aluno. Para o filósofo moderno, de fato, as condições adversas do estado de natureza, como guerra, fome e violência, são inerentes à condição humana, pois o ser humano não é naturalmente inclinado à vida em sociedade, ao contrário do que pensava Aristóteles.

c) Incorreta. Os homens, no estado civil, perdem a bondade originária do homem natural.
Essa concepção é de Rousseau, que compreende o ser humano, em seu estado natural, como um ser bondoso, como explica o mito do bom selvagem, mas que, ao entrar em contato com a sociedade e suas artificialidades, tende a se corromper.

d) Incorreta. A insociável sociabilidade é característica imanente às ações humanas.
A própria alternativa é contraditória, pois não é possível ter uma sociabilidade insociável.

e) Incorreta. O Estado é incapaz de prover a segurança dos súditos.
Aristóteles não comentou sobre essa temática, tmapouco esse elemento o diferencia de Hobbes.



Questão 1841

(Uel 2010) Observe a frase: “Os deputados decidiram errar onde não poderiam” e assinale a alternativa que corresponde ao uso correto do termo “onde”.

 

O labirinto da internet

 

Um paradoxo da cultura contemporânea é a incapacidade da maioria dos políticos de entender a comunicação política. Essa disfunção provoca, muitas vezes, resultados trágicos. É o caso da lei votada pela Câmara dos Deputados para regular o uso da internet nas eleições. Se aprovada sem mudanças pelo Senado, vai provocar um forte retrocesso numa área em que o Brasil, quase milagrosamente, se destaca no mundo – sua legislação de comunicação eleitoral. Sim, a despeito da má vontade de alguns e, a partir daí, de certos equívocos interpretativos, o Brasil tem uma das mais modernas legislações de comunicação eleitoral do mundo. O nosso modelo de propaganda gratuita, via renúncia fiscal, é tão conceitualmente poderoso que se sobressai a alguns anacronismos da lei, como o excesso de propaganda partidária em anos não eleitorais ou a ridícula proibição de imagens externas em comerciais de TV. Os deputados decidiram errar onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação. Para nós da área, ela abre fronteiras tão imprevisíveis e desconcertantes como foram a Teoria da Relatividade para a física, a descoberta do código genético para a biologia, o inconsciente para a psicologia ou a atonalidade para a música. Na comunicação política, a internet é rota ainda difícil de navegar. [...] Desde sua origem nas cavernas, o modo de expressão política tem dado pulos evolutivos sempre que surge um novo meio. [...] Foram enormes os pulos causados pela imprensa, pelo rádio, pelo cinema e pela TV na forma e no modo de fazer política. Mas nada perto dos efeitos que trará a internet. Não só por ser uma multimídia de altíssima concentração, mas também porque sua capilaridade e interatividade planetária farão dela não apenas uma transformadora das técnicas de indução do voto, mas o primeiro meio na história a mudar a maneira de votar. Ou seja, vai transformar o formato e a cara da democracia. No futuro, o eleitor não vai ser apenas persuadido, por meio da internet, a votar naquele ou naquela candidata. Ele simplesmente vai votar pela internet de forma contínua e constante.

(Adaptado de: SANTANA, João. O labirinto da internet. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2007200909.htm>. Acesso em: 20 jul. 2009).

 

 

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Questão 1842

(Uel 2010) Considerando as frases a seguir:

I. “Minha nova bolsa da Luiz Vitão”.

II. “Pelo tamanho, deve caber todos os seus sonhos”.

 

 

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Questão 1854

(UEL - 2010) 

FOLHA – Seus estudos mostram que, entre os mais escolarizados, há maior preocupação com a corrupção. O acesso à educação melhorou no país, mas a aversão à corrupção não parece ter aumentado. Não se vê mais mobilizações como nos movimentos pelas Diretas ou no Fora Collor. Como explicar? ALMEIDA – Esta questão foi objeto de grande controvérsia nos Estados Unidos. Quanto maior a escolarização, maior a participação política. Mas a escolaridade também cresceu lá, e não se viu aumento de mobilização. O que se discutiu, a partir da literatura mais recente, é que, para acontecerem grandes mobilizações, é necessária também a participação atuante de uma elite política. No caso das Diretas-Já, por exemplo, essa mobilização de cima para baixo foi fundamental. O governador de São Paulo na época, Franco Montoro, estava à frente da mobilização. No Rio, o governador Leonel Brizola liberou as catracas do metrô e deu ponto facultativo aos servidores. No caso de Collor, foi um fenômeno mais raro, pois a mobilização foi mais espontânea, mas não tão grande quanto nas Diretas. Porém, é preciso lembrar que Collor atravessava um momento econômico difícil. Isso ajuda a explicar por que ele caiu com os escândalos da época, enquanto Lula sobreviveu bem ao mensalão. Collor não tinha o apoio da elite nem da classe média ou pobre. Já Lula perdeu apoio das camadas mais altas, mas a população mais pobre estava satisfeita com o desempenho da economia. Isso fez toda a diferença nos dois casos. A preocupação de uma pessoa muito pobre está muito associada à sobrevivência, ao emprego, à saúde, à própria vida. Para nós, da elite, jornalistas, isso já está resolvido e outras questões aparecem como mais importantes. São dois mundos diferentes.

(Adaptado de: GOIS, Antonio. Mais conscientes, menos mobilizados. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br//fsp/mais/fs2607200914.htm>. Acesso em: 26 jul. 2009)

Considere o trecho:

“Isso fez toda a diferença nos dois casos. A preocupação de uma pessoa muito pobre está muito associada à sobrevivência, ao emprego, à saúde, à própria vida. Para nós, da elite, jornalistas, isso já está resolvido e outras questões aparecem como mais importantes. São dois mundos diferentes.”.

As palavras grifadas são

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Questão 1859

(Uel 1997) PERTO DE mil pessoas estiveram PRESENTES ao festival DE INVERNO. As expressões em destaque na frase anterior são, respectivamente,

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