(Modelo AFA - 2016)
Nos Textos 1 e 2, os sujeitos que enunciam possuem relações muito diferentes com um mesmo espaço: a favela. Acerca dessa relação, é CORRETO afirmar que
Tanto o diário de Carolina de Jesus como o poema de Drummond refletem sujeitos que se colocam acima da favela, como observadores oniscientes da miséria.
Quarto de despejo configura a autorrepresentação da autora, que se coloca como vítima do ambiente em que vive. Por outro lado, Favelário nacional representa a visão do opressor, assumida pelo poeta com tranquilidade.
Enquanto os relatos de Carolina Maria de Jesus refletem uma vivência imersa no ambiente da favela, o espanto do eu-lírico drummondiano revela uma distância revestida de culpa e medo diante do mesmo espaço.
São visões complementares, visto que apresentam as perspectivas de dois sujeitos que conhecem profundamente a favela em seus detalhes físicos e sociológicos.
Gabarito:
Enquanto os relatos de Carolina Maria de Jesus refletem uma vivência imersa no ambiente da favela, o espanto do eu-lírico drummondiano revela uma distância revestida de culpa e medo diante do mesmo espaço.
[C]
a) INCORRETA. Em nenhum dos textos os sujeitos se colocam em posição superior: no caso de Carolina, ela se nivela ao ambiente da favela, observando de forma ativa e subjetiva, e não onisciente. No poema, Drummond se coloca num lugar paradoxal e desigual, em que, ao mesmo tempo, teme a favela e é socialmente temido por ela;
b) INCORRETA. A posição de Carolina Maria de Jesus não é de simples vítima: ainda que assuma dificuldades oriundas da favela, a autora mostra sua força de vontade para superar tais contingências. No caso de "Favelário nacional", a opressão e a desigualdade não são incorporados pelo eu-lírico com tranquilidade, mas sim com angústia e desconserto;
c) CORRETA. A diferença na relação entre os sujeitos e a favela se dá, principalmente, pela proximidade entre esses sujeitos e tal espaço. No caso de Carolina, uma profunda aproximação ao espaço de miséria, que mostra suas próprias vivências; em Drummond, um estranhamento coberto de temor, dúvida, e incompreensão — elementos que o afastam do meio representado;
d) INCORRETA. O diário de Carolina traz, sim, uma visão de grande conhecimento da realidade da favela. No caso do poema, esse conhecimento se revela impossível: E nos desconheces, como igualmente não te
conhecemos?