(CPCAR - 2020)
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
LEITE, Cassiano Ricardo. Jeremias sem-chorar.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1968. p. 20.
Sobre o emprego de pronomes no texto, é correto afirmar que
no verso "dando-lhe um ritmo extra-corporal?", o pronome "lhe" exerce a função de complemento nominal.
No verso "a máquina o fará por nós", o pronome "o" exerce função de objeto direto.
no verso "Por que levantar o braço", o termo "que" classifica-se como pronome relativo.
no verso "Ó maquina, orai por nós", a substituição pela forma "orai-nos" manteria a correção sintática e semântica.
Gabarito:
No verso "a máquina o fará por nós", o pronome "o" exerce função de objeto direto.
[B]
Comentário das afirmativas
a) Incorreta ⇒ o "lhe" exerce função de objeto indireto do verbo "dar" (dar "algo" - "um ritmo...", "a alguém" - "lhe");
b) Correta ⇒ o "o" é objeto direto do verbo transitivo direto "fazer", que tem por sujeito "A máquina". "A máquina fará algo" = "A máquina o fará";
c) Incorreta ⇒ o "que", nesse contexto, é pronome interrogativo, que se une à preposição "por", significando "por qual razão?";
d) Incorreta ⇒ a substituição não preservaria a correção, uma vez que "orar" é um verbo transitivo indireto nesse caso, que rege preposição "por". O "nos", pronome oblíquo, atuaria ou como objeto direto (o que não teria sentido lógico), ou como objeto indireto (orai a nós), o que subverteria o sentido original.