(G1 - cftmg 2016)
Leia o soneto abaixo para responder às questões.
Para cantar de amor tenros cuidados,
Tomo entre vós, ó montes, o instrumento;
Ouvi pois o meu fúnebre lamento;
Se é que de compaixão sois animados:
Já vós vistes, que aos ecos magoados
Do trácio Orfeu parava o mesmo vento;
Da lira de 1Anfião ao doce acento
Se viram os rochedos abalados.
Bem sei, que de outros gênios o 2Destino,
Para cingir de 3Apolo a verde rama,
Lhes influiu na lira estro divino:
O canto, pois, que a minha voz derrama,
Porque ao menos o entoa um peregrino,
Se faz digno entre vós também de fama.
COSTA, Cláudio Manuel da. A poesia dos inconfidentes. (Org.: COSTA, MACHADO). São Paulo: Martins Fontes, 1966, p. 51 – 52.
Vocabulário:
1Anfião: Deus da mitologia grega, filho de Zeus e Antíope, que recebeu uma lira como presente de Apolo, que também o ensinou a tocá-la. Ele construiu a cidade de Tebas tocando a lira, pois, ao som de sua música, as pedras se moviam sozinhas.
2Destino: Na Grécia Antiga, o Destino dos deuses e dos homens era concedido às três irmãs Moiras, responsáveis por tecer e cortar o fio da vida de cada um.
3Apolo: Filho de Zeus e Latona, é considerado o deus da juventude e da luz. Apesar de ser sempre associado à imagem de um jovem viril e talentoso, não teve sucesso no amor, devido à paixão não correspondida por Dafne. O poeta Calímaco apresenta Apolo como o inventor da lira, mas outros textos indicam que quem o inventou foi seu irmão Hermes.
O soneto de Cláudio Manuel da Costa traz vários elementos característicos da estética árcade, como a recuperação dos valores clássicos, percebida na menção aos deuses gregos. Por meio dessa estratégia, o autor indica a
aspiração do eu lírico a seu destino artístico.
razão do eu lírico para suas escolhas poéticas.
subordinação do eu lírico ao desejo dos deuses.
aproximação entre o eu lírico e os deuses do Panteão.
Gabarito:
razão do eu lírico para suas escolhas poéticas.
[B]
Ao que parece, a exposição lírica nesses versos mostra que o eu poético tem por objetivo (razão) do canto o merecimento da honra entre os deuses, a gratidão pelo instrumento que o permite a conexão com o Panteão. Nesse sentido a [B] pode ser considerada adequada.