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Questão 29593

CMMG 2016
Português

(G1/ COL. NAVAL - 2016)

Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir.

            O desaparecimento dos livros na vida cotidiana e a diminuição da leitura é preocupante quando sabemos que os livros são dispositivos fundamentais na formação subjetiva das pessoas. Nos perguntamos sobre o que os meios de comunicação fazem conosco: da televisão ao computador, dos brinquedos ao telefone celular, somos formados por objetos e aparelhos.

            Se em nossa época a leitura diminui vertiginosamente, ao mesmo tempo, cresce o elogio da ignorância, nossa velha conhecida. Há, nesse contexto, dois tipos de ignorância. Uma é a ignorância filosófica, aquela que em Sócrates se expunha na ironia do “sei-que-nada-sei”. Aquele que não sabe e quer saber pode procurar os livros, esses objetos que guardam tantas informações, tantos conteúdos, que podemos esperar deles muita coisa: perguntas e, até mesmo, respostas. A outra é a ignorância prepotente, à qual alguns filósofos deram o nome de “burrice”. Pela burrice, essa forma cognitiva impotente e, contudo, muito prepotente, alguém transforma o não saber em suposto saber, a resposta pronta é transformada em verdade. Nesse caso, os livros são esquecidos. Eles são desnecessários como “meios para o saber”. Cancelada a curiosidade, como sinal de um desejo de conhecimento, os livros tornam-se inúteis. Assim, a ignorância que nos permite saber se opõe à que nos deforma por estagnação. A primeira gosta dos livros, a segunda os detesta.

            [...]

            Para aprender a perguntar, precisamos aprender a ler. Não porque o pensamento dependa da gramática ou da língua formal, mas porque ler é um tipo de experiência que nos ensina a desenvolver raciocínios, nos ensina a entender, a ouvir e a falar para compreender. Nos ensina a interpretar. Nos ajuda, portanto, a elaborar questões, a fazer perguntas. Perguntas que nos ajudam a dialogar, ou seja, a entrar em contato com o outro. Nem que este outro seja, em um primeiro momento, apenas cada um de nós mesmos.

            Pensar, esse ato que está faltando entre nós, começa aí, muitas vezes em silêncio, quando nos dedicamos a esse gesto simples e ao mesmo tempo complexo que é ler um livro. É lamentável que as pessoas sucumbam ao clima programado da cultura em que ler é proibido. Os meios tecnológicos de comunicação são insidiosos nesse momento, pois prometem uma completude que o ato de ler um livro nunca prometeu. É que o ato da leitura nunca nos engana. Por isso, também, muitos afastam-se dele. Muitos que foram educados para não pensar, passam a não gostar do que não conhecem. Mas há quem tenha descoberto esse prazer que é o prazer de pensar a partir da experiência da linguagem ­– compreensão e diálogo – que sempre está ofertado em um livro. Certamente para essas pessoas, o mundo todo – e ela mesma – é algo bem diferente.

(TIBURI, Márcia. Potência do pensamento: por uma filosofia política da leitura. Disponível em http://revistacult.uol.com.br – 31 jan. 2016 – com adaptações)

Em “Há, nesse contexto, dois tipos de ignorância [...].” (2º§), a concordância verbal, de acordo com a variedade padrão da língua, é feita na 3ª pessoa do singular. Em que opção isso também deve ocorrer?

A

Cresce, no mundo, os casos de rejeição à leitura e consequente valorização de outros meios.

B

Nas escolas, assiste-se a mudanças no que diz respeito ao prazer de pensar a partir da experiência da linguagem.

C

Devia existir mais programas de incentivo à leitura, uma vez que ela ensina a desenvolver raciocínios.

D

Do lado de fora da sala, ouvia-se os gritos dos alunos, extasiados com a história lida pela professora.

E

Já é comum, na vida cotidiana, os meios tecnológicos de comunicação.

Gabarito:

Nas escolas, assiste-se a mudanças no que diz respeito ao prazer de pensar a partir da experiência da linguagem.



Resolução:

a) Alternativa incorreta. A concordância verbal deveria ser feita na terceira pessoa do plural, pois o sujeito é plural.

b) Alternativa correta​​​​​​​. A partícula “se” é um índice de indeterminação de sujeito. Assim, o sujeito é indeterminado, ou seja, deve-se utilizar o verbo na terceira pessoa do singular.

c) Alternativa incorreta​​​​​​​. A concordância verbal deveria ser feita na terceira pessoa do plural, pois o sujeito é plural (“mais programas de incentivo à leitura”).

d) Alternativa incorreta​​​​​​​. A concordância verbal deveria ser feita na terceira pessoa do plural, pois o sujeito é plural: “se” é partícula apassivadora e, assim, a frase pode ser lida como “Gritos dos alunos são ouvidos”. Assim, “grito dos alunos” é sujeito.

e) Alternativa incorreta​​​​​​​. A concordância verbal deveria ser feita na terceira pessoa do plural, pois o sujeito é plural (“os meios tecnológicos de comunicação”).

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