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Questão 22759

EEAR 2012
Português

(G1 - epcar (Cpcar) 2012)

QUERO VOLTAR A CONFIAR

Fui criado com princípios morais comuns. Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. 23Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades... 24Confiávamos nos adultos, porque todos eram pais, mães ou familiares da nossa rua, do bairro ou da cidade. Tínhamos medo 16apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror10...

22Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Tudo que os meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos velhos, dos jovens e dos adultos. Direitos humanos para os criminosos, deveres ilimitados para os cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. 25Trabalhador digno e cumpridor dos deveres virou otário. Pagar dívidas em dia é ser tonto – anistia para corruptos e sonegadores.

O que aconteceu conosco4? Professores maltratados nas salas de aula14; comerciantes ameaçados por traficantes15; grades em nossas janelas e portas. 1Que valores são esses5? Automóveis que valem mais que abraços. 26Filhas querendo uma cirurgia como presente por passarem de ano. Filhos esquecendo o respeito no trato com pais e avós. No lugar de senhor, senhora, ficou 12“oi cara”, ou “como está, coroa”6? Celulares nas mochilas de crianças. “O que vais querer em troca de um abraço7?” – “A diversão vale mais que um diploma.” – “Uma tela gigante 20vale mais que uma boa conversa.” – “21Mais vale uma maquiagem do que um sorvete.” – 13“Aparecer do que ser.” Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo8?

Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar nas flores11... Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão. Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar “olho no olho”. Quero sair de casa sabendo a hora em que estarei de volta, sem medo de assaltos ou balas perdidas. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. 2Onde a palavra valia mais que um documento assinado. Quero a esperança, a alegria, a confiança de volta. Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar 3ao nível de” ao falar de uma pessoa.

E viva o retorno da verdadeira 19vida, simples como a chuva, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da manhã. E 17definitivamente 18bela como cada amanhecer.

27Quero ter de volta o meu mundo simples e comum, onde existam o amor, a solidariedade e a fraternidade como bases. 28Vamos voltar a ser gente. A ter indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito. Construir um mundo melhor, mais justo e mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.

Utopia9?

Quem sabe.

Precisamos tentar.

Arnaldo Jabor. Disponível em: http://www.pensador.uol.com.br/textos_de_arnaldo_jabor/2/. Data de acesso: 30/04/2011.

Leia o fragmento abaixo:

“Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Tudo que os meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos velhos, dos jovens e dos adultos. Direitos humanos para os criminosos, deveres ilimitados para os cidadãos honestos.” (ref. 22)

Sobre ele é INCORRETO afirmar que

A

O segundo e terceiro períodos poderiam ser reescritos como coordenados ao primeiro, já que, semanticamente, estão relacionados ao termo “tristeza infinita”.

B

O último período, semântica e discursivamente, apresenta-se como uma conclusão crítica e resumitiva da ideia anteriormente expressa.

C

O sujeito da primeira oração do primeiro período é classificado como sujeito simples e está representado pelo pronome “me”.

D

Em ambas as ocorrências o “que” é um pronome relativo que introduz orações subordinadas adjetivas restritivas.

Gabarito:

O sujeito da primeira oração do primeiro período é classificado como sujeito simples e está representado pelo pronome “me”.

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