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Questão 18

ESCOLA NAVAL 2017
Português

(ESC. NAVAL - 2017)

Leitura - leituras: quando ler (bem) é preciso

“[...] Alguns leitores ao lerem estas frases (poesia citada) não compreenderam logo. Creio mesmo é impossível compreender inteiramente à primeira leitura pensamentos assim esquematizados sem uma certa prática.”

Mário de Andrade – Artista

“Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.”

Mário de Andrade – Lundu do escritor difícil

 

No eterno criar e recriar da atividade verbal, a criatividade, a semanticidade, a intersubjetividade, a materialidade e a historicidade são propriedades essenciais da linguagem, indispensáveis a todos os atos da fala, sejam eles presente, passados ou futuros.

Porém, é a atividade semântica que intermedeia a conexão dos seres humanos com o mundo dos objetos, estabelecendo a relação entre o EU e o Universo, e, junto com a alteridade (relação do EU com o Outro, de caráter interlocutivo), permite a identificação da linguagem como tal, pois a linguagem existe não apenas para significar, mas significar alguma coisa para o outro.

A semanticidade possibilita o indivíduo conceber e revelar as coisas pertencentes ao mundo do real e da imaginação. Logo, é ao mesmo tempo significação, modo de conceber, ou melhor, uma configuração linguística de conhecimento, uma organização verbal do pensamento, e designação ou referência, aplicação dos conceitos às coisas extralinguísticas. [...].

No processo de leitura do texto, para que o leitor se aproprie desse(s) sentido(s), é necessário que ele domine não apenas o código linguístico, mas também compartilhe bagagem cultural, vivências, experiências, valores, correlacione os conhecimentos construídos anteriormente (de gênero e de mundo, entre outros) com as novas informações expressas no texto; faça inferências e comparações; compreenda que o texto não é uma estrutura fechada, acabada, pronta; perceba as significações, as intencionalidades, os dialogismos, o não dito, os silêncios.

Em resumo, é fundamental que, por meio de uma série de contribuições, o interlocutor colabore para a construção do conhecimento. Assim, ler não significa traduzir um sentido já considerado pronto, mas interagir com o outro (o autor), aceitando, ou não, os propósitos do interlocutor.

Profª Marina Cezar – Revista Villegagnon. Ano IV. Nº 4. 2009 – Texto adaptado.

 

Leia o fragmento:

“[...] a relação entre o Eu e o Universo [...]” (2º parágrafo)

Assinale a opção em que a palavra sublinhada foi formada pelo mesmo processo que a palavra destacada acima.

A

O beija-flor voou feliz até o ninho.   

B

Infeliz aquele que não ama o próximo.    

C

Silêncio! Pediu o professor à turma.

D

O resgate dos feridos aconteceu normalmente.  

E

A falta cometida pelo jogador foi desleal.  

Gabarito:

Silêncio! Pediu o professor à turma.



Resolução:

No fragmento, vemos um processo de substantivação do pronome “Eu”. Ou seja, há uma mudança na sua classe gramatical.

O mesmo ocorre na alternativa [C]: normalmente, “silêncio” é um substantivo. No entanto, em [C], está sendo usado como uma interjeição para impor silêncio. Assim, há também mudança na classe gramatical.

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