(EsPCEx - 2011)
Sobre os indicadores socioeconômicos podemos afirmar que:
I. O IDH do Brasil não reflete as condições de vida vigentes no País como um todo, em virtude de este apresentar fortes desigualdades regionais.
II. O PIB per capita é, por si só, um dado suficiente para se avaliar as condições socioeconômicas de um país.
III. Tanto a taxa de analfabetismo como o nível de instrução possuem estreita relação com o rendimento (renda) da população.
IV. O cálculo do IDH baseia-se em três indicadores socioeconômicos: a expectativa de vida, o nível de instrução e a taxa de mortalidade infantil.
Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas:
I e II
I e III
I, II e IV
II, III e IV
III e IV
Gabarito:
I e III
I. (CORRETO) O IDH do Brasil não reflete as condições de vida vigentes no País como um todo, em virtude de este apresentar fortes desigualdades regionais.
Utilizar o IDH para medir o desenvolvimento das nações são, na melhor das hipóteses, limitados – na pior, repletos de erros de cálculo e mensuração e incapazes de refletir as condições de vida e de desenvolvimento de um país de modo realista.
O IDH é parte de uma análise do desenvolvimento humano realizada pelo Pnud. Segundo a entidade, o desenvolvimento é mensurado de acordo com dois tipos de medidas: uma mais ampla, que inclui os indicadores relacionados a avaliações de desenvolvimento humano, e outra mais estrita, baseada em índices compostos que mensuram dimensões básicas do desenvolvimento humano.
"Ambos os tipos de medidas têm as suas limitações", aponta Selim Jahan, diretor do Escritório para o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU. Segundo ele, a primeira medida oferece uma compreensão mais ampla das condições de desenvolvimento, mas não sintetiza as situações; já a segunda, sintetiza o desenvolvimento em um número, mas não oferece um retrato do desenvolvimento humano. “O IDH tem um escopo limitado. Ele não pode oferecer um retrato completo do desenvolvimento humano em qualquer situação”.
O IDH mensura o desenvolvimento humano por meio de uma nota de 0 a 1 composta atribuindo pesos a três fatores de desenvolvimento: PIB per capita, expectativa de vida e educação. O uso de apenas três medidas, além de não englobar todos os aspectos da vida em uma sociedade, pode distorcer a nota final do índice.
Os três fatores podem ter pesos diferentes de acordo com o desenvolvimento do país: uma nação com alto desenvolvimento perde mais pontos se não tiver uma população alfabetizada e que frequenta a escola, por exemplo.
A mensuração da educação no cálculo do IDH gera controvérsia: segundo especialistas, a inclusão da educação no índice faz com que os fatores analisados – taxa de alfabetização e permanência na escola – sejam um objetivo por si só, quando deveria ser um meio para levar ao objetivo final de melhoria das condições de vida.
“As medidas de educação no cálculo do IDH podem nos informar sobre a quantidade de educação de um país, a média de quanto tempo as pessoas recebem educação formal, mas não nos falar sobre a qualidade da educação de um país: se as pessoas conseguem, durante a sua educação, aprender coisas que lhes dão habilidades que as tornem mais produtivas no mercado de trabalho”, explica Ryan Davey, economista e diretor da sea3consulting, consultoria de pesquisa e análise econômica voltada para o terceiro setor. "
II. (INCORRETO) O PIB per capita é, por si só, um dado suficiente para se avaliar as condições socioeconômicas de um país.
Desde sua criação, o modelo (PIB) recebe críticas por não ser capaz de medir as variáveis que afetam realmente a vida das pessoas, como saúde, educação e bem estar. A soma de tudo que um país produz ao longo de um tempo é um dado limitado que diz pouco sobre o ambiente daquele lugar ou o bem estar das pessoas que vivem nele. Mesmo o PIB per capita, que leva em conta a população, não consegue medir como as riquezas são distribuídas. Para além das críticas sobre suas limitações em avaliar o bem estar da população, o índice vem sendo contestado também como medida de riqueza de uma nação.
O que o PIB não mede
Aumentar o PIB não é necessariamente aumentar a riqueza
Países com muitos recursos naturais, como petróleo por exemplo, impulsionam seu PIB com exportações. Qatar e Emirados Árabes Unidos, por exemplo, que estão entre os maiores PIBs per capita do mundo, são extremamente dependentes da exportação de petróleo - um recurso finito. Os recursos naturais são fonte importante de renda, mas a transformação dessa renda vinda do petróleo em riqueza para o país vai depender de como esse dinheiro for investido.
Exemplo: Se uma área úmida é drenada para dar lugar a um shopping center, a construção vai contribuir para o PIB, mas a destruição não vai ser registrada.
III. (CORRETO) Tanto a taxa de analfabetismo como o nível de instrução possuem estreita relação com o rendimento (renda) da população.
O analfabetismo impede que a pessoa aumente sua renda, consiga um emprego melhor, rompa a bolha de exclusão em que está presa há gerações. Uma pessoa pobre que não sabe ler ou escrever tem pouquíssimas chances de sair da pobreza.
IV. (INCORRETO) O cálculo do IDH baseia-se em três indicadores socioeconômicos: a expectativa de vida, o nível de instrução e a taxa de mortalidade infantil.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede o nível de desenvolvimento humano dos países utilizando como critérios indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita).