(EsPCEx - 2015)
Leia os versos a seguir e responda.
“Catar Feijão
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e o oco, palha eco,”
Alguidar: recipiente de barro, metal ou material plástico, usado para tarefas domésticas
Em Catar feijão, João Cabral de Melo Neto revela
o princípio de que a poesia é fruto de inspiração poética, pois resulta de um trabalho emocional.
influência do Dadaísmo ao escolher palavras, ao acaso, que nada significam para a construção da poesia.
preocupação com a construção de uma poesia racional contrária ao sentimentalismo choroso.
valorização do eu lírico, ao extravasar o estado de alma e o sentimento poético.
valorização do pormenor mediante jogos de palavras, sobrecarregando a poesia de figura e de linguagem rebuscada.
Gabarito:
preocupação com a construção de uma poesia racional contrária ao sentimentalismo choroso.
a) Alternativa incorreta. O autor revela que o princípio da escrita poética é fruto de uma triagem minuciosa de elementos desnecessários para a escrita, sendo realizada de forma racional.
b) Alternativa incorreta. O autor não defende uma escrita dadaísta, ou seja, pela busca de um teor ilógico e irracional.
c) Alternativa correta. O eu-lírico do poema compara o trabalho de compor o poema à atividade de catar feijão. Da mesma maneira que alguns grãos de feijão (os que boiarem) são dispensados, algumas palavras devem ser jogadas fora ("e jogar fora o leve e o oco, palha eco,” - último verso) e isso deve ser feito de forma racional, contrária ao sentimentalismo.
d) Alternativa incorreta. Não há uma concepção de uma produção puramente emocional (é valorizado a escrita de forma racional).
e) Alternativa incorreta. Não há jogo de palavras. Se fosse dessa forma, a metáfora do "catar feijão" seria incoerente para o poema porque é tal analogia é feita para evidenciar a necessidade de retirar alguns grãos para que o poema seja escrito.