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Questão 2

ESPCEX 2017
História

(EsPCEx - 2017)  

No início do século XVIII, a concorrência das Antilhas fez com que o preço do açúcar brasileiro caísse no mercado europeu. Os proprietários de engenho, em Pernambuco, para minimizar os efeitos desta crise, recorreram a empréstimos junto aos comerciantes da Vila de Recife. Esta situação gerou um forte antagonismo entre estas partes, que se acirrou quando D. João V emancipou politicamente Recife, deixando esta de ser vinculada a Olinda. Tal fato desobrigou os comerciantes de Recife do recolhimento de impostos a favor de Olinda. O conflito que eclodiu em função do acima relatado foi a:

A

Revolta de Beckman

B

Guerra dos Mascates.   

C

Guerra dos Emboabas.   

D

Insurreição Pernambucana

E

Conjuração dos Alfaiates.

Gabarito:

Guerra dos Mascates.   



Resolução:

a) Revolta de Beckman

Incorreta. A Revolta de Beckman ocorreu em 1684 e foi um movimento contra a recém criada Companhia de Comércio do Estado do Maranhão para estimular o desenvolvimento econômico da região. As atividades desta Companhia eram: comprar os produtos agrícolas daquela região, vender produtos manufaturados e abastecer as elites coloniais com escravos. A Revolta de Beckman é considerada um movimento nativista liderada pelos irmãos Tomás e Manuel Beckman, dois senhores de engenho da região do Maranhão; a companhia não cumpriu com suas obrigações revoltando a população maranhense que em 1684 saquearam os depósitos da companhia, expulsaram jesuítas, prenderam o governador e estabeleceram um governo provisório. Após um ano de revolta e governo provisório, Portugal mandou reforço militar para finalizar a situação. Nesse momento, Tomás Beckman é enviado à metrópole para demonstrar a lealdade ao rei e reforçar que o problema era com os responsáveis pela Companhia e com os jesuítas. Logo que aportou, foi preso e proibido de retornar ao Maranhão, cumprindo pena em Pernambuco. Enquanto isso, Manuel Beckman e outros líderes, como Jorge de Sampaio e Carvalho, foram facilmente dominados pelo novo governador Gomes Freire de Andrade e condenados à forca.

b) Guerra dos Mascates.   

Correta. A capitania de Pernambuco era foco de reivindicações políticas desde o século XVII, quando foi dominada pelos holandeses. Após a invasão (que você pode entender em Invasões estrangeiras – Brasil Holandês), Recife se desenvolveu economicamente por causa do crescimento das atividades comerciais portuguesas que chegaram ali. Contudo, ela não era a cidade principal da capitania, esta seria Olinda, que estava em crise.

Olinda era a principal cidade e controlava Recife politicamente, mas sofria com a decadência dos engenhos de açúcar, que caíram de produtividade depois da expulsão dos holandeses. Recife, por sua vez, representava o novo momento da região, com o surgimento de uma burguesia mercantil e por ter se tornado, depois das reformas de Nassau, um grande ponto de troca de produtos africanos, europeus e americanos. Esses comerciantes que ganhavam cada vez mais protagonismo econômico eram tratados pela elite do engenho olindense pelo nome pejorativo de mascates. Porém, uma curiosidade é que o conflito só ganhou o nome que conhecemos hoje após a publicação do livro Guerra dos Mascates, de José de Alencar, em 1873. Ou seja, vemos aqui como a História é repensada e ressignificada ao longo do tempo.

A dominação política de Olinda sobre Recife começou a incomodar os comerciantes locais. Qualquer tipo de decisão, taxa de impostos, por exemplo, só poderia ser tomada pelos olindenses. Além disso, a situação econômica dos senhores de engenho, que dominavam a política de Olinda, era muito pior da dos recifenses, e as decisões tomadas pelos primeiros afetavam diretamente os lucros comerciais da vila. A arrecadação de impostos beneficiava muito mais Olinda do que Recife, que começou a se organizar para se separar e se municipalizar.

O estopim do conflito foi a outorga real, em 1709, da criação da vila de Santo Antônio do Recife. A elite olindense se revoltou devido a quebra da autonomia local, se armou e atacaram a vila, em 1710. O contra-ataque também ocorreu, estendendo o confronto até 1711. Para evitar maiores problemas, chegou à capitania um novo representante de Portugal, chamado Felix José de Mendonça, que finalizou o conflito, confiscando os bens da elite de Olinda. Em 1714, D. João V os perdoou e tentou reestruturar a situação econômica da cidade, o que não ocorreu.

c) Guerra dos Emboabas.   

Incorreta. A guerra dos emboabas ocorreu na região de Minas Gerais entre os anos de 1707 e 1709, sendo um conflito armado entre os emboabas (portugueses e imigrantes de outras regiões do Brasil) e os bandeirantes paulistas. A principal motivação para a disputa foi a exploração das minas de ouro que recentemente haviam sido descobertas na região de Minas Gerais.

O século XVIII foi bastante marcado pela descoberta não somente de ouro, mas de outras pedras preciosas, o que fez com que a Guerra dos Emboabas acabasse recebendo menos visibilidade pelas escolas em decorrência de outros importantes conflitos que ocorreram no mesmo período, como foi o caso da Inconfidência Mineira, por exemplo. A descoberta de pedras preciosas atraiu muitos desbravadores para a região de Minas Gerais e a economia, antes movida pela plantação da cana-de-açúcar e focada na região nordeste do país, passou a focar na região Sudeste e suas riquezas, como o ouro e as outras pedras preciosas.

Guerra dos Emboabas: como eram divididos os grupos?

À época, a população era basicamente dividida em dois grupos inimigos: os paulistas e os emboabas. Emboaba é uma palavra tupi que significa “pássaros de pés emplumados, e era um termo usado pejorativamente para designar forasteiros por usarem botas.

Os paulistas, alegando terem descoberto as minas, queriam a exclusividade da exploração. Os forasteiros, entretanto, passaram a exercer bastante influência, controlando o comércio e tendo o lucro. Entre os emboabas, um nome de destaque foi Manuel Nunes Viana, que contrabandeava o ouro. A Coroa, visando controlar essa situação, determinou algumas medidas, como a cobrança do quinto para a população, mas Nunes Viana continuou liderando o contrabando.

O líder dos paulistas à época, Borba Gato, decidiu expulsar os emboabas que haviam se apoderado de suas terras e minas, mas por serem minoria, os paulistas que acabaram sendo expulsos por Viana e pelos emboabas, indo, a partir de então, para Mato Grosso e Goiás, onde descobriram novas jazidas. Viana, entretanto, posteriormente, foi expulso de Minas Gerais pelo governador do Rio de Janeiro logo após o massacre dos emboabas contra os paulistas do Capão da Traição. Com a tomada do poder, a pacificação e o controle do conflito por parte da Coroa Portuguesa, estes assumiram a exploração do ouro em Minas Gerais.

A guerra, além das mortes, trouxe outras consequências. No ano de 1709, a capitania de São Vicente chegou ao fim, sendo criada, então, a capitania de São Paulo e Minas de ouro, que se dividiu no ano de 1720, passando a se chamar a capitania de São Paulo e a Capitania de Minas Gerais.

d) Insurreição Pernambucana

Incorreta. A Insurreição Pernambucana (Guerra da Luz Divina) ocorreu entre 1645 e 1654 dentro deste contexto foi um movimento que lutava contra o domínio holandês na capitania de Pernambuco. Foi uma revolta organizada majoritariamente por portugueses, mas que contou com a importante participação de Henrique Dias, um afro-descendente e Felipe Camarão, um indígena. 

e) Conjuração dos Alfaiates.

Incorreta. É a Conjuração Baiana que ocorre em no final no século XVIII entre 1798-1799. Foi um movimento emancipacionista que contou com a participação popular. Ocorre em um cenário de crise econômica na Bahia que está relacionada ao declínio do açúcar e do algodão e a transferência da capital para o Rio de Janeiro. É contra a cobrança de impostos, luta pela independência, é republicana, luta pela igualdade civil e é a favor da abolição da escravidão. 

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