(FAMECA - 2017)
Sabina
Havia três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. E marido seria se ela quisesse; mas Sabina
– Sabina era o seu nome – dera-se mal com o casamento, e não queria experimentá-lo de novo.
Um mês depois do seu primeiro encontro com o bacharel Figueiredo, este dizia-lhe:
– Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu és livre: casemo-nos!
– Não! – respondia ela – não! Não! Não!...
– Por que, meu amor?
– Porque esse fogo, esse ímpeto, esse entusiasmo que te lançou nos meus braços, tudo isso desapareceria desde que eu fosse tua mulher!
– Mas a sociedade...
– Ora, a sociedade! Sou bastante independente para me não importar com ela.
– Tua filhinha...
– Tem apenas quatro anos! Está na idade em que se olha sem ver. Demais, não quero dar-lhe um padrasto. Amemonos, e deixemos em paz o padre e o pretor.
(Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014.)
Na fala do bacharel Figueiredo “– Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu és livre: casemo-nos!”, a oração “casemo-nos” sinaliza, na construção de seu raciocínio, uma
conclusão.
hipótese.
exemplificação.
advertência.
retificação.
Gabarito:
conclusão.
a) Alternativa correta. Há uma progressão de pensamento, que seria algo como "eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu és livre. Portanto, casemo-nos!". A última oração, então, seria uma conclusão da linha de raciocínio construída anteriormente.
b) Alternativa incorreta. Casemo-nos não representa uma hipótese, mas uma proposta que parece lógica após os argumentos dados.
c) Alternativa incorreta. Casemo-nos não representa uma exemplificação de nada colocado anteriormente.
d) Alternativa incorreta. Casemo-nos não é uma advertência em relação a nada, apenas uma proposta.
e) Alternativa incorreta. Casemo-nos não é uma retificação, ou seja, não pretende corrigir nada dito anteriormente.