(FMP - 2017)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Mais velho, poucos amigos?
Um curioso estudo divulgado na última semana mostrou que a redução do número de amigos com a idade, tão comum entre os humanos, pode não ser exclusivo da nossa espécie.
Aparentemente, macacos também passariam por processo semelhante em suas redes de contatos sociais, o que poderia sugerir um caráter evolutivo desse fenômeno.
No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa com Primatas em Göttingen, Alemanha, se identificou uma redução de grooming (tempo dedicado ao cuidado com outros indivíduos, como limpar o pelo e catar piolhos) entre os macacos mais velhos da espécie Macaca sylvanus. Além disso, eles praticavam grooming em um número menor de “amigos” ou parentes.
Fazer grooming está para os macacos mais ou menos como o “papo” para nós. Da mesma forma que o “carinho” humano, ele parece provocar a liberação de endorfinas. Geram-se, dessa forma, sensações de bem-estar tanto em homens como em outros animais.
Na pesquisa, publicada pelo periódico New Scientist, os cientistas perceberam que macacos de 25 anos tiveram uma redução de até 30% do tempo de grooming quando comparados com adultos de cinco anos. Se esse fenômeno acontece em outros primatas, ele também pode ter chegado a nós ao longo do caminho de formação da nossa espécie. Se chegou, qual teria sido a vantagem evolutiva?
Durante muito tempo se especulou que esse “encolhimento” social em humanos seria, na verdade, resultado de um processo de envelhecimento, em que depressão, morte de amigos, limitações físicas, vergonha da aparência e menos dinheiro poderiam limitar as novas conexões. Mas, pesquisando os idosos, se percebeu que ter menos amigos era muito mais uma escolha pessoal do que uma consequência do envelhecer.
Uma linha de investigação explica que essa redução dos amigos seria, na verdade, uma seleção dos mais velhos de como usar melhor o tempo. Mas outros especialistas defendem a ideia de que os mais velhos teriam menos recursos e defesas para lidar com estresse e ameaças e, assim, escolheriam com mais cautela as pessoas com quem se sentem mais seguros (os amigos) para passar seu tempo.
BOUER, J. Jornal O Estado de São Paulo, caderno Metrópole, domingo, 26 jun. 2016, p. A23. Adaptado.
No trecho “Geram-se, dessa forma, sensações de bem-estar tanto em homens como em outros animais.” (ref. 6) a forma verbal foi utilizada no plural, por respeito às exigências da norma-padrão da língua portuguesa. Essa mesma flexão deve ser aplicada ao verbo destacado em:
Com o aumento da depressão em pessoas de diferentes idades, é necessário que se procedam a novos estudos sobre medicamentos mais eficazes.
Os estudos recentes desenvolvidos em institutos de pesquisa permitem que se suspeitem das causas prováveis do “encolhimento” social.
Apesar de a imprensa divulgar constantemente novos medicamentos, desconfiam-se dos métodos utilizados nas pesquisas sobre obesidade.
Para detectar os reflexos mais prejudiciais do “encolhimento” social em humanos, necessitam-se de estudos com maior número de indivíduos.
Os pesquisadores concordam que é preciso que se empreguem muitos esforços para investigar os processos relativos ao envelhecimento.
Gabarito:
Os pesquisadores concordam que é preciso que se empreguem muitos esforços para investigar os processos relativos ao envelhecimento.
No trecho, “geram” está flexionado no plural, pois está na forma passiva, a partir da partícula apassivadora “se”. Assim, “geram-se sensações” corresponde a “gerações são geradas”, ou seja, “sensações” é núcleo do sujeito do verbo “gerar” e, como está no plural, exige que o verbo também se flexione no plural. O único caso em que isso também ocorre é em [E], já que “se empreguem muitos esforços” é a forma apassivada da oração “muitos esforços são empregados”. Portanto, tem-se um sujeito no plural, que exige que o verbo fique no plural. Nas outras alternativas, o que é observado é o “se” enquanto índice de indeterminação de sujeito (vemos que em todas as alternativas o sujeito é indeterminado, daí a incorreção do emprego do verbo no plural, já que a norma culta diz que com sujeitos indeterminados o verbo deve vir na terceira pessoa do singular).