(FUNDATEC - 2020)
O evolucionismo foi um dos conceitos que permaneceu por muitos anos em aspecto central de análise nos estudos antropológicos. Sobre esse conceito, assinale a alternativa correta.
As sociedades contemporâneas, como um todo, são homogêneas culturalmente, e, por isso, os fundamentos teóricos do evolucionismo podem ser rejeitados.
Só existe nas civilizações ocidentais, orientadas para fins e valores de mercado; tais costumes evolucionistas são definidos pelo investigador, não sendo situados lado a lado, de modo horizontal.
O evolucionismo considera que os costumes têm uma substância comum, uma individualidade e, evidentemente, um fim. Mas o fim não é jamais discutido pelos teóricos do século XIX, porque é sempre encarado como a encarnação da sociedade branca, tecnológica e europeia onde viviam esses pesquisadores.
O fato de que a cultura pode ser reificada no tempo e no espaço (por meio de sua projeção e materialização em objetos), o evolucionismo pode sobreviver à sociedade que a atualiza em um conjunto de práticas concretas e visíveis.
Para os evolucionistas, é o contexto que vai permitir situar cada costume como uma ilustração crítica de momentos ou estágios socioculturais específicos, não afetando, contudo, a preponderância dos valores tradicionais.
Gabarito:
O evolucionismo considera que os costumes têm uma substância comum, uma individualidade e, evidentemente, um fim. Mas o fim não é jamais discutido pelos teóricos do século XIX, porque é sempre encarado como a encarnação da sociedade branca, tecnológica e europeia onde viviam esses pesquisadores.
c) Correta. Segundo o antropólogo Roberto DaMatta, o evolucionismo prega que as sociedades humanas sejam comparadas umas com outras a partir de seus costumes, que não são vistos como parte de seus contextos, de suas relações sociais e de seus valores: os costumes possuem uma origem, uma substância, uma individualidade e um fim europeus. Eles são definidos pelo investigador (etnocêntrico) e não são situados horizontalmente. Nessa perspectiva, as sociedades se desenvolvem de modo linear, irreversivelmente, de modo que aquelas dessincronizadas com a trajetória dessa linha progressiva são tidas como “atrasadas” na escala evolutiva: sociedades diferentes àquela do evolucionista, mas contemporâneas a ele, foram ultrapassadas na corrida da evolução. Com isso, elas não são participantes de sua própria trajetória — com sua própria substância, individualidade e fim — mas sim reprodutoras de preceitos (europeus) supostamente universais, e, nesse aspecto, as distinções entre as sociedades são tidas como “atraso” ou “progresso”. Dessa forma, a substância das sociedades e o fim da evolução social são definidos com base nas circunstâncias e valores típicos de uma “sociedade branca, tecnológica e europeia”, de modo que as outras são analisadas de forma descontextualizada, desconsiderando suas individualidades.
a) Incorreta. As sociedades contemporâneas não são homogêneas (pelo contrário), e o evolucionismo explica essa diferença supondo uma hierarquia entre elas. As teorias argumentam que as sociedades destoantes da linha evolutiva — ou seja, aquelas que, apesar de contemporâneas aos europeus, não se encontram no mesmo “estágio evolutivo” que eles — estão “atrasadas”, ao invés de considerar as individualidades do contexto de cada uma.
b) Incorreta. Não se demonstra que existe apenas nas civilizações ocidentais orientadas para fins e valores de mercado, pois o progresso não é determinado exatamente por esses critérios na teoria evolucionista: a suposta substância comum a todas as sociedades também reflete outras características da sociedade europeia, como a cultura.
d) Incorreta. A reificação da cultura é um processo identificado não pelo evolucionismo, mas pela teoria marxista, e é o fenômeno da “coisificação” das relações sociais, do trabalho e da própria subjetividade — ou seja, transformá-las em algo inanimado, quantitativo e automático como as mercadorias.
e) Incorreta. Para os evolucionistas, o costume é tomado como algo separado de seu contexto específico.