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Questão 13

FGV 1993
Português

 (Cesgranrio 1993)

TEXTO I

O POETA COME AMENDOIM

Noites pesadas de cheiros e calores amontoados...

Foi o sol que por todo o sítio imenso do Brasil

Andou marcando de moreno os brasileiros.

 

Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer...

 

A noite era pra descansar. As gargalhadas brancas dos mulatos...  

Silêncio! O Imperador medita os seus versinhos.

Os Caramurus conspiram à sombra das mangueiras ovais.

Só o murmurejo dos cre'm-deus-padre irmanava os homens de meu país...

Duma feita os canhamboras perceberam que não tinha mais escravos,

Por causa disso muita virgem-do-rosário se perdeu...

 

Porém o desastre verdadeiro foi embonecar esta República temporã.

A gente inda não sabia se governar...

Progredir, progredimos um tiquinho

Que o progresso também é uma fatalidade...

Será o que Nosso Senhor quiser!...

 

Estou com desejos de desastres...

Com desejos do Amazonas e dos ventos muriçocas

Se encostando na canjerana dos batentes...

Tenho desejos de violas e solidões sem sentido...

Tenho desejos de gemer e de morrer...

 

Brasil...

Mastigado na gostosura quente do amendoim...

Falado numa língua curumim

De palavras incertas num remeleixo melado melancólico...

Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...

Molham meus beiços que dão beijos alastrados

E depois semitoam sem malícia as rezas bem nascidas...

 

Brasil amado não porque seja minha pátria,

Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...

Brasil que eu amo porque é o ritmo no meu braço aventuroso,

O gosto dos meus descansos,

O balanço das minhas cantigas amores e danças.

Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,

Porque é o meu sentimento pachorrento,

Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.

(Mário de Andrade. Poesias completas. S.P.: Martins, 1996. p. 109-110)


 

TEXTO II

A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou o conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.

(Rui Barbosa. Texto reproduzido em ROSSIGNOLI, Walter. Português: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 19)


"Saem LENTAS frescas trituradas pelos meus DENTES bons... / Molham meus beiços QUE dão beijos alastrados" (Texto I, v. 25-26).

 

As funções sintáticas dos termos em destaque são, respectivamente:

A

adjunto adverbial de modo - agente da passiva - sujeito.

B

predicativo do sujeito - objeto indireto - objeto direto.

C

predicativo do sujeito - agente da passiva - sujeito.

D

adjunto adnominal - agente da passiva - sujeito.

E

adjunto adnominal - complemento nominal - objeto direto.

Gabarito:

predicativo do sujeito - agente da passiva - sujeito.



Resolução:

"Saem LENTAS frescas trituradas pelos meus DENTES bons... / Molham meus beiços QUE dão beijos alastrados" (Texto I, v. 25-26).

As funções sintáticas dos termos em destaque são, respectivamente:

Alternativa C "predicativo do sujeito - agente da passiva - sujeito." Comentário: alternativa correta. O termo "LENTAS" na oração "Saem LENTAS frescas trituradas pelos meus DENTES bons... ", perceba que há um verbo em terceira pessoa do plural "saem", que apesar de estar se referindo a essa pessoa do discurso, pode se recuperado no contexto, indicando que "palavras" é seu referente. O sujeito de saem, nesse caso, é oculto, remetendo ao termo "palavras". Sendo assim, o verbo "saem" é considerado como verbo de ligação entre o sujeito oculto e a sua característica(predicativo) "lentas". É nesse raciocínio que justifica corretamente do termo "lentas" ser considerado como predicativo do sujeito. O termo "DENTES" é um agente da passiva, marcado pela preposição "por". Já o pronome relativo "que", sintaticamente, pode assumir diversas funções, sendo uma delas, a função de sujeito. O termo "que" faz referência ao sujeito "beiços".

A partir dessa explicação, as outras alternativas se tornam inviáveis.

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