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Questão 9

FGV 1999
Português

(Cesgranrio - 1999) 

A MORTE DA PORTA-ESTANDARTE

1 Que adianta ao negro ficar olhando para as bandas do Mangue ou para os lados da Central?

2 Madureira é longe e a amada só pela madrugada entrará na praça, à frente do seu cordão.

3 Todos percebem que ele está desassossegado, que uma paixão o está queimando por dentro.

4 Sua agonia vem da certeza de que é impossível que alguém possa olhar para Rosinha sem se apaixonar. E nem de longe admite que ela queira repartir o amor.

5 A praça transbordava. (...) Só depois que Rosinha chegasse começaria o Carnaval.(...)

6 A praça inteira está cantando, tremendo. O corpo de Rosinha não tardaria a boiar 

sobre ela como uma pétala.(...)

7 Acima das vagas humanas os estandartes palpitam como velas.(...)

8 Dezenas de estandartes pareciam falar, transmitiam mensagens ardentes, sacudiam-se, giravam, paravam, desfalecendo, reclinavam-se para beijar, fugiam...(...)

9 Se quiser agora sair daquele lugar, já não poderá mais, se sente pregado ali. O gemido cavernoso de uma cuíca próxima ressoa-lhe fundo no coração. - Cuíca de meu agouro, vai roncar no inferno...(...)

10 E está sofrendo o preto. Os felizes estão-se divertindo. Era preferível ser como os outros, qualquer dos outros a quem a morena poderá pertencer ainda, do que ser alguém como ele, de quem ela pode escapar. Uma rapariga como Rosinha, a felicidade de tê-la, por maior que seja, não é tão grande como o medo de perdê-la.(...)

11 O negro está hesitante. As horas caminham e o bloco de Madureira é capaz de não vir mais. Os turistas ingleses contemplam o espetáculo à distância, e combinam o medo com a curiosidade.(...)

12 No fundo da praça uma correria e começo de pânico. Ouvem-se apitos. As portas de aço descem com fragor. As canções das Escolas de samba prosseguem mais vivas, sinfonizando o espaço poeirento. A inglesa velha está afobada, puxa a família, entra por uma porta semicerrada.

13 - Mataram uma moça!(...)

14 O crime do negro abriu uma clareira silenciosa no meio do povo. Ficaram todos estarrecidos de espanto vendo Rosinha fechar os olhos. O preto ajoelhado bebia-lhe mudamente o último sorriso, e inclinava a cabeça de um lado para outro como se estivesse contemplando uma criança. (...)

(Aníbal M. Machado)

 

Assinale a relação INCORRETA entre a oração e a ideia que ela apresenta.

A

"... sem se apaixonar." (par. 4) - concessão

B

"... depois que Rosinha chegasse ..." (par. 5) - tempo

C

"... para beijar." (par. 8) - finalidade

D

"... e o bloco de Madureira é capaz ..." (par. 11) - adição  

E

"... se sente pregado ali." (par. 9) - condição  

Gabarito:

"... se sente pregado ali." (par. 9) - condição  



Resolução:

  1. Alternativa incorreta. A oração "Sua agonia vem da certeza de que é impossível que alguém possa olhar para Rosinha sem se apaixonar." apresenta o fragmento "sem se apaixonar" como relação de concessão porque indica um contraste ou a quebra de expectativa, ou seja, admite uma contradição ou um fato inesperado diante das ações do verbo presente na oração principal, perceba que há uma afirmação na oração principal relacionada a impossibilidade de amar alguém ("de que é impossível que alguém possa olhar"), contudo, há possibilidade de se apaixonar ("Rosinha sem se apaixonar").

  2. Alternativa incorreta. A oração "A praça transbordava. (...) Só depois que Rosinha chegasse começaria o Carnaval" apresenta o termo "depois que Rosinha chegasse" com ideia de tempo porque mostra  o momento da ocorrência do carnaval só ocorreria, logo após, a chegada da Rosinha.

  3. Alternativa incorreta. A oração "reclinavam-se para beijar" apresenta "para beijar" como indicativo de finalidade porque apresenta o sentido da função ou o fim para o ato de reclinar.

  4. Alternativa incorreta. A oração " As horas caminham e o bloco de Madureira é capaz de não vir mais." apresenta a ideia de adição, pois há apenas dois elementos diferentes que representam o sentido das horas fluírem com o tempo e juntamente o bloco Madureira ser capaz de não ir mais para algum lugar.

  5. Alternativa correta. A expressão "se sente pregado ali" apresenta o sentido de causa diante de não poder sair do local naquele momento específico. Fica o seguinte raciocínio: "Por que ele não pode sair naquele momento daquele local? Porque "se sente pregado ali.".Portanto, é uma afirmativa que condiz com que é solicitado no enunciado da questão..

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