(ESPM - 2014)
O amor cortês foi um gênero praticado desde os trovadores medievais europeus. Nele a devoção masculina por uma figura feminina inacessível foi uma atitude constante. A opção cujos versos confirmam o exposto é:
Eras na vida a pomba predileta
(...) Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, - a inspiração, - a pátria,
O porvir de teu pai!
(Fagundes Varela)
Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios
Das harpas da emoção tantos arpejos...
(Cruz e Sousa)
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
(Álvares de Azevedo)
Em teu louvor, Senhora, estes meus versos
E a minha Alma aos teus pés para cantar-te,
E os meus olhos mortais, em dor imersos,
Para seguir-lhe o vulto em toda a parte.
(Alphonsus de Guimaraens)
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
(Carlos Drummond de Andrade)
Gabarito:
Em teu louvor, Senhora, estes meus versos
E a minha Alma aos teus pés para cantar-te,
E os meus olhos mortais, em dor imersos,
Para seguir-lhe o vulto em toda a parte.
(Alphonsus de Guimaraens)
A) Nesse poema, o eu-lírico não direciona o poema a uma mulher idealizada, mas sim a seu filho.
B) Aqui, temos uma ótica carnal, característica que não contempla as do amor cortês.
C) O poema do trecho acima tem como objeto a morte, não fala sobre o amor a mulher idealizada.
D) O trecho apresenta um sentimento do eu-lírico dirigido á figura da mulher amada. Essa amor idealizado, não é concreto e se realiza carnalmente como o poema da letra [B]. Aqui, a admiração e a distância tomam conta do discurso, encaixando-se no amor cortês.
E) Drummond ressalta um amor vivo, que inclusive pode ser um desamor ou amor mal amado, fugindo totalmente da questão da idealização.
Dessa maneira, a alternativa correta é a letra [D].