(FGV/RJ - 2015)
Agora me digam: como é que, com tio-avô modinheiro parente de Castro Alves, com quem notivagava na Bahia; pai curtidor de um sarau musical, tocando violão ele próprio e depositário de canções que nunca mais ouvi cantadas, como “O leve batel”, linda, lancinante, lúdica e que mais palavras haja em “l’s” líquidos e palatais, com versos atribuídos a Bilac; avó materna e mãe pianistas, dedilhando aquelas valsas antigas que doem como uma crise de angina no peito; dois tios seresteiros, como Henriquinho e tio Carlinhos, irmão de minha mãe, de dois metros de altura e um digitalismo espantosos, uma espécie de Canhoto (que também o era) da Gávea; como é que, com toda essa progênie, poderia eu deixar de ser também um compositor popular…
Vinicius de Moraes, Samba falado: (crônicas musicais). Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008. Adaptado.
Das características abaixo, frequentemente encontradas em crônicas, a única que NÃO se aplica ao texto é:
emprego de neologismos.
interação com o leitor.
sintaxe com marcas de oralidade.
frases sem verbo.
uso de termos da linguagem informal.
Gabarito:
frases sem verbo.
a) Alternativa incorreta. O emprego de neologismos pode ser observado, por exemplo, pelo uso do verbo notivagava.
b) Alternativa incorreta. Há interação com o leitor logo na primeira frase, agora me digam.
c) Alternativa incorreta. A sintaxe da oralidade pode ser observada em trechos como tocando violão ele próprio e tio Carlinhos, irmão de minha mãe, de dois metros de altura.
d) Alternativa correta. A presença de verbos está em todo o texto, não sendo presentes, portanto, as frases sem verbo.
e) Alternativa incorreta. Expressões como modinheiro e pai curtidor de um sarau musical são exemplos de termos de linguagem informal.