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Questão 57033

FGV 2019
Português

(ESPM - 2019) 

"(...) O mal du siècle, a indefinível doença que alanceia os românticos, que lhes enlanguesce a vontade, entedia a vida e faz desejar a morte, só poderá ser correctamente entendido no contexto da odisseia do eu romântico, pois que exprime o cansaço e a frustração resultantes da impossibilidade de realizar o absoluto. (...)"

(Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Teoria da Literatura, 8.ª edição, Livraria Almedina, Coimbra, 1988)

A partir das considerações sobre o “mal- -do-século”, assinale o item cujo texto não apresente as características apontadas.

A

Já da morte o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
(Álvares de Azevedo)

B

Ah!, findou para mim tão leda sorte;
Agora é só feliz minha existência
No mudo estado, que arremeda a morte.
(Bocage)

C

A filha de Araquém sentiu afinal que suas veias se estancavam; e contudo o lábio amargo de tristeza recusava o alimento que devia restaurar-lhe as forças. O gemido e o suspiro tinham crestado com o sorriso o sabor em sua boca formosa.

(José de Alencar, Iracema)

D

E que farias tu da vida sem a tua companheira de martírio? Onde irás tu aviventar o coração que a desgraça te esmagou, sem o esquecimento da imagem desta dócil mulher, que seguiu cegamente a estrela da tua malfadada sorte?!

(Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição)

E

Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia...
Como o cisne de outrora... que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.
(Álvares de Azevedo)

Gabarito:

Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia...
Como o cisne de outrora... que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.
(Álvares de Azevedo)



Resolução:

[E]

Os versos de Álvares de Azevedo são, antes de tudo, irônicos, cômicos. Com a referência a elementos do cotidiano, o poeta compara seu destino ao de um marreco que, inferior ao cisne, é relegado ao destino da panela. 

Esse tipo de construção irônica e cotidiana não faz parte da estética niilista e grave do "mal du scièle". 

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