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Questão 31

FUVEST 2010
Português

(FUVEST - 2010 - 1ª FASE)

(...) É uma bela moça, mas uma bruta... Não há ali mais poesia, nem mais sensibilidade, nem mesmo mais beleza do que numa linda vaca turina. Merece o seu nome de Ana Vaqueira. Trabalha bem, digere bem, concebe bem. Para isso a fez a Natureza, assim sã e rija; e ela cumpre. O marido todavia não parece contente, porque a desanca. Também é um belo bruto... Não, meu filho, a serra é maravilhosa e muito grato lhe estou... Mas temos aqui a fêmea em toda a sua animalidade e o macho em todo o seu egoísmo...

Eça de Queirós, A cidade e as serras.

Neste excerto, o julgamento expresso por Jacinto, ao falar de um casal que o serve em sua quinta de Tormes, manifesta um ponto de vista semelhante ao do

A

Major Vidigal, de Memórias de um sargento de milícias, ao se referir aos desocupados cariocas do tempo do rei.

B

narrador de Iracema, em particular quando se refere a tribos inimigas e a franceses.

C

narrador de Vidas secas, principalmente quando ele enfoca as relações sexuais de Fabiano e Sinha Vitória.

D

Anjo, do Auto da barca do inferno, ao condenar os pecados da carne cometidos pelos humanos.

E

narrador de O cortiço, especialmente quando se refere a personagens de classes sociais inferiores.

Gabarito:

narrador de O cortiço, especialmente quando se refere a personagens de classes sociais inferiores.



Resolução:

A) INCORRETA: pois na referência de Major Vidigal não podemos perceber a mesma manifestação expressa por Jacinto, ou seja, uma animalização das pessoas e das situações, algo que não é próprio dessa obra.

B) INCORRETA: pois em Iracema, ao se referir às tribos inimigas e francesas, não vemos uma animalização dessas pessoas como é expresso no julgamento de Jacinto, mas a animalização (ainda que em níveis diferentes) é realizada no início da obra e para outros destinos.

C) INCORRETA: em Vidas Secas, não é muito forte a tópica da animalização, ou seja, observar as ações das personagens e a partir daí modificá-las para algo mais animalesco, mas o que é mostrado na obra é apenas a realidade do sertão.

D) INCORRETA: quando se condena os pecados em Auto da Barca do Inferno, essa condenação não é feita de modo animalesco da mesma forma que o julgamento de Jacinto expressa. Por essa razão, não vemos similaridades nesse quesito entre as duas obras.

E) CORRETA: aqui é possível observar como o narrador caracteriza as pessoas, atribuindo-lhes características um tanto pejorativas e também animalescas, assim como no trecho de A Cidade e as Serras.

A primeira que se pôs a lavar foi a Leandra, por alcunha a “Machona”, portuguesa feroz, berradora, pulsos cabeludos e grossos, anca de animal do campo. Tinha duas filhas, uma casada e separada do marido, Ana das Dores, a quem só chamavam a “das Dores” e outra donzela ainda, a Nenen, e mais um filho, o Agostinho, menino levado dos diabos, que gritava tanto ou melhor que a mãe. A das Dores morava em sua casinha à parte, mas toda a família habitava no cortiço.

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