(FUVEST 2012 - 2 fase) Leia o seguinte excerto de Capitães da areia, de Jorge Amado, e responda ao que se pede.
O sertão comove os olhos de Volta Seca. O trem não corre, este vai devagar, cortando as terras do sertão. Aqui tudo é lírico, pobre e belo. Só a miséria dos homens é terrível. Mas estes homens são tão fortes que conseguem criar beleza dentro desta miséria. Que não farão quando Lampião libertar toda a caatinga, implantar a justiça e a liberdade?
Compare a visão do sertão que aparece no excerto de Capitães da areia com a que está presente no livro Vidas secas, de Graciliano Ramos, considerando os seguintes aspectos:
a) a terra (o meio físico);
b) o homem (o sertanejo).
Responda, conforme solicitado, considerando cada um desses aspectos nas duas obras citadas.
Gabarito:
Resolução:
a) A visão da personagem de Capitães da areia destoa da caracterização do ambiente do sertão na obra de Graciliano Ramos. Em Vidas Secas não há espaço para beleza e lirismo, e a aridez e a dureza da terra arrasada pela seca e pela miséria ofusca a possibilidade de transcendência dessa condição. Já na prosa de Jorge Amado, pela inserção da peronagem no ambiente sertanejo, a realidade deste último torna-se mais suportável e, através da saudade, motivo de emoção e inspiração de beleza. Há uma confluência, no entanto, entre as paisagens humanas miseráveis nos dois romances, mas que para Volta Seca é fonte de força e encanto, enquanto para Fabiano e sua família - que compõe esse quadro social - é constante fonte de amargura e dificuldades.
b) As personagens de Graciliano Ramos em Vidas Secas são desumanizadas pelas condições do sertão e, portanto, incapazes de nutrir sentimentos e pensamentos perenes sobre a própria vida e a condição. Noções como a honra, a beleza, a justiça e a poesia escapam em sua complexidade do espectro humano de Fabiano, Sinhá Vitória e os demais sertanejos. Em Capitães da areia, por outro lado, tem-se na personagem de Volta Seca um desejo pela vida e pela justiça no sertão, que se concretiza quando ele adere ao cangaço e faz do ambiente e da condição de vida áridos motivo de luta. Há portanto, uma contraposição entre a passividade e o imobilismo das personagens de Ramos diante de sua condição, e a fúria, ação e desejo reveladas pela trajetória do jovem narrada por Jorge Amado.