(FUVEST 2012)
Texto 1
A ciência mais imperativa e predominante sobre tudo é a ciência política, pois esta determina quais são as demais ciências que devem ser estudadas na pólis. Nessa medida, a ciência política inclui a finalidade das demais, e, então, essa finalidade deve ser o bem do homem.
Aristóteles. Adaptado.
Texto 2
O termo “idiota” aparece em comentários indignados, cada vez mais frequentes no Brasil, como “política é coisa de idiota”. O que podemos constatar é que acabou se invertendo o conceito original de idiota, pois a palavra idiótes, em grego, significa aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política. Talvez devêssemos retomar esse conceito de idiota como aquele que vive fechado dentro de si e só se interessa pela vida no âmbito pessoal. Sua expressão generalizada é: “Não me meto em política”.
M. S. Cortella e R. J. Ribeiro, Política – para não ser idiota. Adaptado.
Texto 3
FILHOS DA ÉPOCA
Somos filhos da época e a época é política. Todas as tuas, nossas, vossas coisas diurnas e noturnas, são coisas políticas. Querendo ou não querendo, teus genes têm um passado político, tua pele, um matiz político, teus olhos, um aspecto político. O que você diz tem ressonância, o que silencia tem um eco de um jeito ou de outro, político. (...)
Wislawa Szymborska, Poemas.
Texto 4
As instituições políticas vigentes (por exemplo, partidos políticos, parlamentos, governos) vivem hoje um processo de abandono ou diminuição do seu papel de criadoras de agenda de questões e opções relevantes e, também, do seu papel de propositoras de doutrinas. O que não significa que se amplia a liberdade de opção individual. Significa apenas que essas funções estão sendo decididamente transferidas das instituições políticas (isto é, eleitas e, em princípio, controladas) para forças essencialmente não políticas primordialmente as do mercado financeiro e do consumo. A agenda de opções mais importantes dificilmente pode ser construída politicamente nas atuais condições. Assim esvaziada, a política perde interesse.
Zygmunt Bauman. Em busca da política. Adaptado.
Texto 5
Os textos aqui reproduzidos falam de política, seja para enfatizar sua necessidade, seja para indicar suas limitações e impasses no mundo atual. Reflita sobre esses textos e redija uma dissertação em prosa, na qual você discuta as ideias neles apresentadas, argumentando de modo a deixar claro o seu ponto de vista sobre o tema Participação política: indispensável ou superada?
Instruções:
- A redação deve obedecer à norma padrão da língua portuguesa.
- Escreva, no mínimo, 20 e, no máximo, 30 linhas, com letra legível.
- Dê um título a sua redação.
Gabarito:
Resolução:
O tema "Participação política: indispensável ou superada?" é de extrema importãncia para a sociedade em que vivemos.
No primeiro texto motivador, Aristóteles coloca a política como imperatira e superior em relação as outras ciências, uma vez que a ciência política define quais ciências devem ser estudadas na sociedade.
No segundo texto motivador, Mário Cortella e Renato Janine Ribeiro apresentam a definição primeira do termo "idiota" e clamam pela volta do uso no cotidiano.
O terceiro texto motivador, fragmento de poema da escritora Wislawa Zymborska, aponta a onipresença da política.
No quarto texto motivador, o sociólogo Zygmunt Bauman apresenta um processo em que a política não está recebendo a sua devida impotância, o que transfere ações das instituições políticas para outros contextos, como o mercado financeiro de consumo.
No quinto texto motivador, temos uma charge de Adão Iturrusgarai, o Homem-Legenda traduz a expressão “apolítico” por “ignorante” e dá risadas.
Para a construção do texto é necessário que o candidato defina a sua opinião respondendo a pergunta proposta no tema. A partir da definição de seu ponto de vista ele poderia se embasar nos diferentes textos motivadores para inspirar a sua argumentação, uma vez que eles apresentam abordagens bastante diferentes.