(FUVEST-2014)
Revelação do subúrbio
Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça do carro*,
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.
A noite come o subúrbio e logo o devolve,
ele reage, luta, se esforça,
até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais
e à noite só existe a tristeza do Brasil.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo, 1940.
(*) carro: vagão ferroviário para passageiros.
Para a caracterização do subúrbio, o poeta lança mão, principalmente, da(o)
personificação.
paradoxo.
eufemismo.
sinestesia.
silepse.
Gabarito:
personificação.
Comentário geral:
Alternativa correta: A
Para a caracterização do subúrbio, o poeta lança mão, principalmente, da prosopopeia, ou personificação, figura de linguagem que consiste em atribuir a seres irracionais ou a objetos inanimados, ações, qualidades e sentimentos que são próprios dos seres humanos. Os seguintes versos do poema exemplificam a personificação. Nos versos: “O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,/ ele reage, luta, se esforça,” observa-se a atribuição de verbos de atitudes geralmente humanas à "entidade" do subúrbio.
As demais figuras de linguagem não se apresentam de forma preponderante no poema de Drummond.