(FUVEST - 2014 - 2ª FASE)
Leia o seguinte texto, que trata das diferenças entre fala e escrita:
Talvez ainda mais digno de atenção seja o desaparecimento [na escrita] da mímica e das inflexões ou variações do tom da voz. A sua falta tem de ser suprida por outros recursos. É, neste sentido, que se torna altamente instrutiva a velha anedota, que nos conta a indignação de um rico fazendeiro ao receber de seu filho um telegrama com a frase singela – “mande-me dinheiro”, que ele lia e relia emprestando-lhe um tom rude e imperativo. O bom homem não era tão néscio quanto a anedota dá a entender: estava no direito de exigir da formulação verbal uma qualidade que lhe fizesse sentir a atitude filial de carinho e respeito e de refugar uma frase que, sem a ajuda de gestos e entoação adequada, soa à leitura espontaneamente como ríspida e seca.
J. Mattoso Câmara Jr., Manual de expressão oral e escrita. Adaptado.
a) Considerando-se que o verbo da frase do telegrama está no imperativo, se essa mesma frase fosse dita em uma conversa telefônica, haveria possibilidade de o pai entendê-la de modo diferente? Explique.
b) Reescreva a frase do telegrama, acrescentando-lhe, no máximo, três palavras e a pontuação adequada, de modo a atender a exigência do pai, mencionada no texto.
Gabarito:
Resolução:
a) Sim. A prosódia, ou seja, elemento da entonação que se dá as palavras, marcaria a diferença entre a frase lida e a hipoteticamente escutada pelo pai. Isso é justamente o fator discutido por Mattoso Câmara: como na modalidade escrita não há marcas suficientes para expressão completa do tom e da prosódia, ela fica defasada nesse quesito com relação à linguagem falada. O telefonema, portanto, poderia sim resolver o empecilho comunicativo descrito na anedota e o pai poderia entender que o pedido não era rude e taxativo, como geralmente se associa ao modo imperativo.
b) A frase poderia ser reescrita da seguinte maneira: "Pai (ou Papai), mande-me dinheiro, por favor...".