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Questão 5

FUVEST 2015
Português

(FUVEST 2015 - 2 fase) Limite inferior

Aprendi muito com o economista-filósofo Roberto de Oliveira Campos, particularmente quando tive a honra e a oportunidade de conviver com ele durante anos na Câmara dos Deputados. Sentávamos juntos e assistíamos aos mesmos discursos, alguns muito bons e sábios. Frequentemente, diante de alguns incontroláveis colegas que exerciam uma oratória de alta visibilidade, com os dois braços agitados tentando encontrar uma ideia, Roberto me surpreendia com a afirmação: “Delfim, acabo de demonstrar um teorema”. E sacava uma mordaz conclusão crítica contra o incauto orador. Um belo dia, um falante e conhecido deputado ensurdeceu o plenário com uma gritaria que entupiu os ouvidos dos colegas. A quantidade de sandices ditas no longo discurso com o ar de quem estava inventando o mundo fez Roberto reagir com incontida indignação. Soltou de supetão: “Delfim, construí um axioma, uma afirmação preliminar que deve ser aceita pela fé, sem exigir prova: a ignorância não tem limite inferior”. E completou, com a perversidade de sua imensa inteligência: “Com ele poderemos construir mundos maravilhosos”.

Antonio Delfim Netto, Folha de S. Paulo, 17/09/2014. Adaptado

 

a) Explique por que o axioma formulado por Roberto de Oliveira Campos tornaria possível “construir mundos maravilhosos”.

b) Identifique o trecho do texto que explica o emprego da expressão “oratória de alta visibilidade”.

Gabarito:

Resolução:

a) O axioma criado por Roberto de Oliveira Campos, "a ignorância não tem limite inferior", permite concluir sua ironia acerca dos "mundos maravilhosos" que, a partir disso, são possíveis de construir. Ao aceitar que a ignorância é ilimitada, e é sempre possível superar os disparates e "abaixar o nível", o filósofo conclui que há também fonte ilimitada para a crítica e o escárnio, e que, "com o ar de quem estava inventando o mundo" criam-se realidades absurdas, ironicamente "maravilhosas". 

b) A expressão "oratória de alta visibilidade" alude, novamente de forma irônica, à linguagem corporal dos "incontroláveis" deputados, revelada no trecho "com os dois braços agitados tentando encontrar uma ideia". 

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