(FUVEST - 2017 - 2ª fase)
Considere o excerto em que Araripe Júnior, crítico associado ao Naturalismo, refere-se ao “estilo” praticado “nesta terra”, isto é, no Brasil.
O estilo, nesta terra, é como o sumo da pinha, que, quando viça, lasca, deforma-se, e, pelas fendas irregulares, poreja o mel dulcíssimo, que as aves vêm beijar; ou como o ácido do ananás do Amazonas, que desespera de sabor, deixando a língua a verter sangue, picada e dolorida.
a) O modo pelo qual o crítico explica a feição que o “estilo” assume “nesta terra” indica que ele compartilha com o Naturalismo um postulado fundamental. Qual é esse postulado? Explique resumidamente.
b) As características de estilo sugeridas pelo crítico, no excerto, aplicam-se ao romance O cortiço, de Aluísio Azevedo? Justifique sucintamente sua resposta
Gabarito:
Resolução:
a) Ararípe Júnior, nesse excerto, revela que compartilha com o ideal naturalista a ideia de um determinismo geográfico e social. Para o crítico, o fato de o estilo se desenvolver em terras brasileiras dá a ele um "tom local" peculiar, que o aproxima da realidade natural e dos ares intensos e tropicais de seu berço. As teorias deterministas foram fundamentais para a estruturação dos enredos e do estilo do romance naturalista oitocentista no país.
b) A descrição do crítico literário se enquadra ao romance azevediano, uma vez que em "O Cortiço" é nítido o tensionamento entre o doce e o ácido, as belezas e as misérias, o prazer e a dor. O naturalismo, que tem seu auge com Aluísio de Azevedo no Brasil, conta com um estilo rico em contradições que expressa a dualidade entre a sociedade e a natureza, e esses dois lados da existência humana - permitindo, assim, que se vá do sublime ao grotesco nas narrativas sobre o povo miserável que mora no "formigueiro" de João Romão e, ali, experiencia com toda intensidade esse marcante tensionamento.