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Questão 8

FUVEST 2021
Português

(FUVEST - 2021 - 2ª FASE)

Leia o poema e o excerto da crônica para responder à questão.

       IV. Hotel Toffolo

       E vieram dizer-nos que não havia jantar.
       Como se não houvesse outras fomes
       e outros alimentos.

       Como se a cidade não nos servisse o seu pão
5     de nuvens.

       Não, hoteleiro, nosso repasto é interior,
       e só pretendemos a mesa.
       Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras.
       Tudo se come, tudo se comunica,
10   tudo, no coração, é ceia.

Carlos Drummond de Andrade, "Estampas de Vila Rica", de Claro Enigma.

 

(...) A população de Ouro Preto nutre convicções e paixões, como qualquer outra, mas cultiva-as in petto [no íntimo], com impecável benignidade de espírito, sem o menor azedume ou nojo pela paixão ou opinião contrária. Essas preferências diversas confraternizam, não raro, junto à mesa no Hotel Toffolo, e chega-se à conclusão de que política não vale positivamente uma boa cerveja.

Carlos Drummond de Andrade, "Contemplação de Ouro Preto", de Passeios na Ilha.

 

a) Que relação de sentido liga a imagem "pão de nuvens" (v. 4-5) ao verso "tudo, no coração, é ceia" (v. 10)? Justifique.

b) As atitudes dos dois grupos à mesa do Hotel Toffolo, no poema e na crônica, são equivalentes? Explique.

Gabarito:

Resolução:

a) O verso “tudo, no coração, é ceia” sintetiza a mensagem do poema acerca de uma “alimentação” metafísica, o “repasto interior”. O eu lírico de Drummond, nesse poema, satisfaz outro tipos de fome, de ordem espiritual e, nesse sentido, a expressão “pão de nuvens” adquire potência: o alimento básico é elevado ao plano celeste, etéreo e rarefeito da atmosfera, que a cidade oferece à alma, ao coração do poeta como ceia. A imagem, portanto, reflete a experiência de uma ceia subjetiva e imaterial sintetizada no verso final.

b) As posturas dos grupos revelados nos textos de Drummond pode ser considerada equivalente, na medida de seu apreço pela comunhão. No poema, “tudo se come, tudo se comunica”, e “tudo, no coração” é ceia, ou seja, o mais importante não é o que está na superfície (o “jantar”), e sim o próprio gesto agregador de espíritos e pensamentos a que a mesa convida, gesto esse de grande partilha. Na cena da crônica, observa-se a mesma constituição do grupo: as “preferências diversas” que confraternizam revelam que o interessa maior não é alimentar disputas ideológicas, de aparência, mas sim vivenciar trocas também de espírito — um traço que os ouropretanos levam, segundo o cronista, in petto, no seu íntimo.

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