(IF-RS - 2015 - Adaptada)
Considere as seguintes afirmativas relacionadas à política de Aristóteles.
I. O homem é um animal político por natureza (zóon politikon), ou seja, é da natureza humana buscar a vida em comunidade e, portanto, a política não é por convenção (nómos), mas por natureza (phýsei).
II. A justiça política consiste em duas ações principais: igualar os desiguais, isto é, criar os iguais; e determinar que o tratamento desigual dos desiguais seja justo.
III. Os cidadãos existem para o bem da pólis, motivo pelo qual Aristóteles delimita com precisão a esfera pública de atuação do Estado, autorizando-o a regular e dirigir a esfera privada.
IV. A ciência política deve pautar-se, essencialmente, por perspectivas ideais, deixando de lado as perspectivas de natureza pragmática e empírica.
Assinale a alternativa em que todas as afirmativas estão CORRETAS:
Apenas I e II.
Apenas I, II e IV.
Apenas III e IV.
Apenas I e III.
Apenas II, III e IV.
Gabarito:
Apenas I e II.
I. Correta. O homem é um animal político por natureza (zóon politikon), ou seja, é da natureza humana buscar a vida em comunidade e, portanto, a política não é por convenção (nómos), mas por natureza (phýsei).
Aristóteles concebe que a cidade é anterior ao homem, sendo este parte do todo, isto é, da pólis, e que esta se constitui como natural. Portanto, o homem só encontra sua humanidade plenamente realizada na cidade, a qual se constitui não por convenção, como nos contratualistas, mas por natureza.
II. Correta. A justiça política consiste em duas ações principais: igualar os desiguais, isto é, criar os iguais; e determinar que o tratamento desigual dos desiguais seja justo.
A perspectiva política de Aristóteles garante a estrutura social da pólis, não a questiona, e não altera as classes sociais existentes, antes, busca estabelecer uma justiça concernente à cada classe.
III. Incorreta. Os cidadãos existem para o bem da pólis, motivo pelo qual Aristóteles delimita com precisão a esfera pública de atuação do Estado, autorizando-o a regular e dirigir a esfera privada.
Aristóteles não entende que os cidadãos existem para o bem da pólis. O filósofo concebe um tipo de ética teleológica, isto é, que todas as coisas visam a um fim supremo, o sumo bem, e este fim é a felicidade. Os cidadãos visam isto também para a política. No plano individual, há a ética, que coordena as noções morais dos indivíduos, em direção à felicidade individual; no plano social, há a política, que coordena as noções morais em direção à felicidade geral. Por isso, o estado não está autorizado a regular a esfera privada.
IV. Incorreta. A ciência política deve pautar-se, essencialmente, por perspectivas ideais, deixando de lado as perspectivas de natureza pragmática e empírica.
Para Aristóteles, como um filósofo naturalista, a ciência política não pode deixar de lado as perspectivas de natureza pragmática e empírica, pois a política considera aquilo que é contingente, como uma ciência prática e não teorética.