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Questão 41073

IFBA 2012
Filosofia

(IFB/2012)

Emmanuel Lévinas foi um dos filósofos que desenvolveu uma ética marcada pelo compromisso e responsabilidade do Eu em relação ao outro. Sobre a ética da alteridade, proposta por Lévinas, é CORRETO afirmar que: 


I. A ética elaborada por Lévinas se configura a partir de um fundamento ontológico, o Bem demonstrado racionalmente. 
II. A alteridade, no sentido levinasiano, é a possibilidade de relação do ser separado e finito com o Outrem, a partir do Desejo metafísico. 
III. A ética levinasiana é construída a partir da concepção heideggeriana, que concebe a solidão no interior de uma relação. 
IV. A relação ético-metafísica, apresentada por Lévinas, instaura no tempo a possibilidade de uma relação para além da essência. 

A

Somente I e II são verdadeiras.

B

Somente III e IV são verdadeiras.

C

Somente II e III são verdadeiras.

D

Somente I e III são verdadeiras.

E

Somente II e IV são verdadeiras.

Gabarito:

Somente II e IV são verdadeiras.



Resolução:

e) Somente II e IV são verdadeiras.

 

I. Incorreta. A ética elaborada por Lévinas se configura a partir de um fundamento ontológico, o Bem demonstrado racionalmente.
A ética de Levinas, como filosofia primeira, isto é, como metafísica, se fundamenta não na ontologia, mas na alteridade. E, fundamentalmente, não se fundamenta na demonstração racional, contudo na abertura do eu para o outro.

II. Correta. A alteridade, no sentido levinasiano, é a possibilidade de relação do ser separado e finito com o Outrem, a partir do Desejo metafísico.
A filosofia de Levinas fundamenta-se na ética ao propor como saída ao problema da razão totalizante numa ideia de ética enquanto relação entre eu e o Outro, aquele que foge, totalmente, às categorias de compreensão do sujeito. O eu, nesse sentido, é determinado como o ego moderno; na era moderna, a razão torna-se senhora, com sociedades mais estruturadas a partir dela, e o ego moderno se estrutura em torno da razão. Portanto, funda-se sob o cogito de Descartes, numa relação de sujeito e objeto. O conhecimento obtido por meio da relação sujeito/objeto, típica da racionalização científica, foi incorporada no ego moderno; o pensamento submete à realidade a si mesmo como objeto, e pode submeter a si mesmo também como objeto de si. Esse princípio de perspectiva, logo, estabelece uma cisão do eu com o resto do mundo, com o outro; o outro, na relação sujeito/objeto, é submetido à compreensão, à racionalização do sujeito em seus próprios critérios. A resposta de Levinas encontra-se na ética, na relação do eu com o outro, sob a ideia do infinito; pois o plano ético precede ao ontológico.
O conceito de ética, em Levinas, é fundamentado a partir do Rosto. Segundo o filosofo, o rosto é epifania do outro; a relação entre eu e outrem se dá, sobremaneira, pela absoluta transcendência e estranheza de outrem, cuja manifestação é o rosto – não passível de se tornar um conteúdo apreensível pela razão. A diferença do outro não pode ser explicada em termos lógicos; o outro não pode ser compreendido e traduzido pelas categorias do sujeito, pois é absolutamente outro. Nessa absoluta diferença entre o eu e o outro se dá o infinito. Logo, o encontro ético ocorre quando o sujeito, arrancado de seu ego, abraça o infinito da distância do outro, não a destrói, mas se responsabiliza por esse encontro; portanto, a ética de Levinas se dá por meio do infinito.

III. Incorreta. A ética levinasiana é construída a partir da concepção heideggeriana, que concebe a solidão no interior de uma relação.
Ao contrário, a ética levinasiana busca possibilitar o encontro entre o eu e o outro.

IV. Correta. A relação ético-metafísica, apresentada por Lévinas, instaura no tempo a possibilidade de uma relação para além da essência.
Levinas não quer encerrar a ética a partir da ontologia, numa discussão sobre o ser a partir de categorias lógicas, mas por meio da responsabilidade para com o outro.

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