(IFB 2017) Sobre Weber e sua concepção de educação é CORRETO afirmar que:
O conceito de desencantamento do mundo associado à concepção de educação para Weber revela um processo de racionalização que conduz a sociedade a uma maior liberdade de escolhas.
A racionalização na busca pelo lucro, característica ímpar do capitalismo segundo Weber, não possui correlação com o conceito de educação para o autor.
A burocratização da vida social é essencial para romper com os princípios de dominação tradicional e carismática. Assim, para Weber, a educação apresenta um paradoxo fundamental ao afirmar suas perspectivas baseadas na tradição das disciplinas, bem como se ampara primordialmente conteúdos afetivos/carismáticos transcritos por materiais lúdicos, sem ter qualquer relação com a racionalização.
O desencantamento do mundo é necessário para que a sociedade conote novo sentido para as relações sociais e educativas, de modo a valorizar a metafísica.
A educação voltada para a racionalização contribui, ao mesmo tempo, para a destruição das concepções míticas, religiosas e metafísicas, e para a perda do sentido da própria vida ao romper os vínculos comunitários em favor da acumulação individual de riqueza numa sociedade capitalista.
Gabarito:
A educação voltada para a racionalização contribui, ao mesmo tempo, para a destruição das concepções míticas, religiosas e metafísicas, e para a perda do sentido da própria vida ao romper os vínculos comunitários em favor da acumulação individual de riqueza numa sociedade capitalista.
a) Incorreta. O processo de racionalização discutido por Weber, na verdade, não consiste em um meio de libertação, e sim numa forma de reduzir o papel dos indivíduos a um conjunto limitado de possibilidades. Isso porque o desencantamento do mundo diz respeito à perda da “sacralidade” das ações humanas, natureza sagrada que, ao longo do processo histórico, foi substituída pelo império da razão: passa-se do pensamento teocêntrico ao pensamento extremamente racional/burocrático. As explicações racionais que surgiram sobre a vivência humana culminaram no estabelecimento de uma visão de mundo pautada nos limites do mundo racional/burocrático.
b) Incorreta. A racionalização com foco no lucro, pelo contrário, tem muita relação com a educação trabalhada por Weber: a educação, no cenário de racionalidade típica do capital, passa a funcionar segundo os preceitos do capitalismo, se tornando um conjunto de conteúdos e normas para formar indivíduos funcionais na estrutura capitalista, um instrumento de estratificação social.
c) Incorreta. O poder burocrático de fato se difere do poder tradicional e do poder carismático, e justamente por isso sua educação se distancia de “conteúdos afetivos/carismáticos”, sendo orientada pela racionalidade.
d) Incorreta. O desencantamento do mundo conota um novo sentido para as relações sociais e educativas, mas na realidade não é uma valorização da metafísica, e sim das explicações puramente racionais/burocráticas (e de orientação capitalista) para as questões humanas.
e) Correta. A educação de viés racional destrói a sacralidade e o “sentido próprio da vida”, num processo de desencantamento do mundo, porque estabelece de forma irredutível o império da razão para explicar o mundo, em detrimento de quaisquer outros elementos (míticos, religiosos ou metafísicos). Essa razão é orientada, principalmente, pelos princípios capitalistas de acumulação individual de riqueza, num individualismo que se sobrepõe à coletividade dos vínculos comunitários.