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Questão 27614

IFBA 2018
Português

(G1 - ifba/2018)

Inteligência o quê?

Inteligência vem da junção das palavras latinas inter (entre) legere (escolher). Por meio da seleção e da escolha os humanos compreendem as coisas.

Na idade média, os filósofos se referiam à inteligência como a parte superior da alma e sua capacidade de conhecimento. Desde então, compõe um trio inseparável: memória-inteligência-vontade.

Quando se fala em inteligência artificial, ninguém pode deixar de lado esse ternário. É aterrorizante imaginar essas três atividades operando conjuntamente em outro local que não o cérebro humano.

Seria possível dotar um computador de razão? Capaz de compreender, julgar, ter bom senso, juízo?

Os computadores guardam ainda a base de seu desenvolvimento na década de 40, a capacidade algorítmica, aptos para resolver cálculos científicos, mas não para analisá-los, como se explica na “Enciclopédia Filosófica Universal”,o local menos suspeito para uma consulta sobre máquinas teoricamente habilitadas a simular a inteligência.

O computador tem conseguido ultrapassar o homem na rapidez e na confiabilidade das operações matemáticas, nas tarefas de rotina, nos encadeamento lógicos. A máquina na qual escrevi essa coluna, evidentemente, não compreende o texto escrito nela. Pode até vertê-lo para outra língua, mas jamais vai poder entender e traduzir em toda a sua profundidade o significado doce e doloroso de uma palavra como saudade, existente somente na língua portuguesa.

Já inventaram programas de computador como o Elisa que “conversa” com as pessoas e parece compreendê-las. Representa comportamentos pré-definidos como o de um psicanalista e responde com alguma lógica a questões menos profundas. Tudo pré-programado e incapaz de evitar o inesperado.

Enganar com o computador, como se vê, pode ser possível. Calma. Ninguém se preocupe se a técnica parece dominar tudo e os técnicos assumem ares de seres superpoderosos e únicos receptáculos de um saber só entendido por eles, porque falam entre si numa linguagem cifrada e incompreensível.

Tudo pode ser decodificado facilmente, e o que hoje perece intransponível não o será logo mais. Basta ver a facilidade da criançada com os computadores. Assim, termos como inteligência artificial ainda servem apenas para ocultar a vontade de um domínio tecnicista sobre o saber universal e humanista.

Se é possível criar máquinas habilitadas no domínio da lógica para resolver problemas estratégicos, não é possível dotá-las de atributos inerentes à condição humana.

Conforme defende L.H. Dreyfus (“intelligence artificiele – Mythes et limites”, 1984), existem quatro postulados bastantes discutíveis quando se fala de inteligência- artificial: o biológico (os impulsos cerebrais), o psicológico (a própria mente), o epistemológico (relativo ao saber e às suas formulações) e o ontológico (os elementos determinados e independentes de todo contexto).

Na porta do século XXI, o desenvolvimento das tecnologias é exponencial, basta refletir com tranquilidade para saber que a técnica ajuda, facilita e até resolve, mas não é tudo e nem pode superar o cérebro humano naquilo que ele tem de melhor – e pior: a razão – ou desrazão.

A desafiadora expressão inteligência artificial, portanto pode enganar mais do que esclarecer. Prefiro a reação de Millôr Fernandes ao saber deste diálogo impertinente: “Me chamem quando forem discutir a burrice natural”.

 

Caio Túlio Costa in Folha de São Paulo, 23 jul. 2017.

 

  “A tecnologia tornou possível a existência de grandes populações. Grandes populações agora tornam a tecnologia indispensável” (Joseph Krutch – escritor)

 

Na citação acima, o termo “grandes populações” aparece, respectivamente, com as seguintes funções:

A

Especificador do nome “existência” e sujeito da forma verbal “tornam”.    

B

Complemento do nome “existência” e sujeito da forma verbal “tornam”.

C

Especificador do nome “existência” e objeto da forma verbal “tornam”.

D

Complemento do nome “existência” e objeto da forma verbal “tornam”.   

E

Complemento do nome “existência” e especificador da forma verbal “tornam”.

Gabarito:

Complemento do nome “existência” e sujeito da forma verbal “tornam”.



Resolução:

 [B]

Na citação - “A tecnologia tornou possível a existência de grandes populações. Grandes populações agora tornam a tecnologia indispensável” – o termo “grandes populações” exerce, respectivamente, as funções de complemento nominal e sujeito:

“A tecnologia tornou possível a existência de (grandes populações)” – Complemento nominal dos termos “existência de”.

“(Grandes populações) agora tornam a tecnologia indispensável” – Sujeito do verbo “tornam”.

A alternativa B, dessa forma, responde corretamente, à questão.

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