(G1 - IFSP - 2016)
Leia o soneto abaixo, de Luís Vaz de Camões, para responder à questão.
Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados
que dois mil acidentes namorados
faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente,
pintando mil segredos delicados,
brandas iras, suspiros magoados,
temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
de vossa vista branda e rigorosa
contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, para cantar de vosso gesto
a composição alta e milagrosa,
aqui falta saber, engenho e arte.
TORRALVO, Izeti Fragata e MINCHILLO, Carlos Cortez. Sonetos de Camões. Cotia: Ateliê Editorial, 2011. p. 32.
A leitura atenta do texto permite afirmar que
se trata de soneto em versos decassílabos, escrito, portanto, em medida nova, mas cuja temática e recursos retóricos opõem-se ao Classicismo.
o eu lírico, nos dois quartetos, afirma sua capacidade de composição poética, mas a relativiza nos dois tercetos, diante da beleza da “Senhora”.
os conceitos de engenho e arte – respectivamente, domínio da técnica e talento pessoal – são típicos da temática classicista.
a Senhora, idealizada nas cantigas de amor, se vê, no soneto camoniano, de que o texto acima é exemplo cabal, sintetizada a uma imagem desprezível.
a mitologia clássica – no soneto expressa em Amor, ou Eros, presente nos dois primeiros quartetos – é característica predominante do Classicismo.
Gabarito:
o eu lírico, nos dois quartetos, afirma sua capacidade de composição poética, mas a relativiza nos dois tercetos, diante da beleza da “Senhora”.
Resposta Correta: B
As duas primeiras estrofes são quartetos, pois são formadas por quatro versos cada. Nelas, podemos observar o eu lírico falando da sua capacidade de composição poética, uma vez que ele diz que cantará de amor de forma doce, por termos concertados, que todos aviventarão de amor, enfim, exalta sua capacidade de compor poesia que dê conta da temática amorosa. Nas duas últimas estrofes, compostas por três versos cada (tercetos), vemos o eu lírico relativizar essa sua capacidade. O último verso do poema é fundamental para entender essa ideia: o eu lírico coloca que diante da beleza da “Senhora” lhe falta saber, engenho e arte, ou seja, sua capacidade de composição passa a ser insuficiente.