(IME - 2017/2018 - 2ª FASE )
EXAUSTO
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
PRADO, Adélia. Exausto. Disponível em <http://byluleoa-tecendopalavras.blogspot.com.br/>. Acesso em 31/07/17.
A respeito dos versos abaixo (versos 3 e 4),
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
podemos afirmar que
indicam uma opção por um descanso em áreas afastadas dos grandes centros urbanos, onde o contato com a natureza é possível.
expressam o objetivo da autora em querer conquistar bens materiais que promovam uma vida confortável; dar espaço aos “sonhos” prejudicaria esse processo.
revelam o desejo de um descanso necessário a quem se reconhece portador de um extremo cansaço; sonhar não é objetivo principal dessa pausa.
produzem, no leitor, a certeza de que o ato de sonhar traz, ao ser humano, mais uma obrigação do que um prazer para aquele que quer vencer.
comprovam que o ato de sonhar é próprio do “sono profundo das espécies”, por isso, a autora o busca.
Gabarito:
revelam o desejo de um descanso necessário a quem se reconhece portador de um extremo cansaço; sonhar não é objetivo principal dessa pausa.
A) INCORRETA: quando o eu lírico diz "sem ao menos sonhar / a leve palha de um pequeno sonho" seu desejo não é o repouso em áreas afastadas do centro urbano, mas que seu desejo é que nem em lugares calmos como a natureza ele deseja sonhar, apenas quer descanso.
B) INCORRETA: não há, nem nos versos destacados nem no poema por inteiro, qualquer indicativo que o desejo da autora é pela conquista de bens materiais, mas pelo contrário, o desejo expresso é o de se afastar de tudo para alcançar o descanso para o eu lírico.
C) CORRETA: observa-se que o eu lírico está tão cansado e deseja tanto o descanso, que o ato de sonhar torna-se irrelevante e até mesmo indesejável, ainda que seja um sonho bom, porque ele não é o objetivo principal do ato de dormir pelo poeta.
D) INCORRETA: pois, quando é posto que o poeta quer descansar "sem ao menos sonhar / a leve palha de um pequeno sonho", é posto que até o sonho mais desejável (que constitui um prazer) não é desejável para esse momento, mas não descarta que os sonhos levam ao prazer.
E) INCORRETA: o ato de sonhar não é buscado pela autora, o que esses dois versos deixam claro, mas, pelo contrário, ela quer dormir apenas para descansar, descartando a possibilidade de sonhar até mesmo o melhor dos sonhos.