(ITA - 1999 - 1ª FASE)
Parei num cruzamento. Lembrei-me do garoto do porão. Se um dia eu precisasse fugir, tentaria levá-lo comigo. Queria dar a ele uma chance. Atravessei a rua e me lembrei de como eu era diferente, apenas algumas semanas atrás. Não vacilava ao receber uma ordem, por mais incompreensível que fosse. Ler algumas páginas do diário do Dr. Bertonni foi o mesmo que virar o mundo pelo avesso. Eu tinha direito a ração, casa e trabalho. Pensava que fosse feliz por isso. Enquanto desvendava a história do mundo, através dos antigos jornais e pelo diário, era tomado pelo medo. Muitas vezes pensei ter perdido a felicidade por saber tanto. Mas agora eu percebo: meses atrás eu não era feliz, mas apenas ignorante.
Costa, Marcos Túlio. O CANTO DA AVE MALDITA. Rio de Janeiro: Record, 1986.
Nesse mesmo texto, assinale a opção correspondente à função da conjunção ‘mas’ na última linha do texto:
Estabelece uma oposição entre felicidade e ignorância.
Opõe o tempo presente ao tempo passado.
Opõe perceber a conhecer.
Complementa a ideia de felicidade com a ideia de ignorância.
Contrapõe a vida pregressa do narrador a uma certa noção de ignorância.
Gabarito:
Estabelece uma oposição entre felicidade e ignorância.
A partir da observação do uso de "mas" em "agora eu percebo: meses atrás eu não era feliz, mas apenas ignorante."
a) Alternativa correta. O autor afirma que nunca foi feliz, mas, no lugar disso, foi ignorante.
b) Alternativa incorreta. Há a oposição do que o autor considerava verdade antes e o que ele sabe agora, mas a conjunção mas não é responsável por uma oposição entre presente e passado.
c) Alternativa incorreta. Não há oposição entre perceber e conhecer representada pelo vocábulo mas.
d) Alternativa incorreta. Não há ideia de complementação, já que mas traz a ideia de oposição.
e) Alternativa incorreta. A conjunção mas justamente associa a vida pregressa do autor à ignorância, não as contrapõe.