(ITA - 2003 - 1ª FASE)
A questão a seguir refere-se ao texto “Língua”, de Caetano Veloso, exposto abaixo.
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala, Mangueira!
Flor do Lácio, Sambódromo
Lusamérica, latim em pó.
O que quer
O que pode Esta língua?
A idéia central é que
a língua portuguesa está repleta de dificuldades, principalmente prosódias e paródias, para os falantes brasileiros.
autores de língua portuguesa, como Fernando Pessoa, Guimarães Rosa e Camões, têm estilos diferentes.
a pátria dos falantes é a língua, superando as fronteiras geopolíticas.
na língua portuguesa, é fundamental a associação de palavras para criar efeitos sonoros.
a escola de samba Mangueira é uma legítima representante dos falantes da língua portuguesa.
Gabarito:
a pátria dos falantes é a língua, superando as fronteiras geopolíticas.
[C]
O poema de Caetano, alinhado às tendências cosmopolitas da estética tropicalista, realiza o procedimento da mistura, que acentua a quebra de fronteiras. Versos que sugerem um beijo de língua entre o eu lírico brasileiro e o poeta português Luís de Camões, bem como as ideias expostas em "E furtem cores como camaleões", "Minha pátria é minha língua", "Lusamérica, latim em pó" sugerem essa congregação — a língua portuguesa, e seus matizes, cores e manifestações, transcendem a geografia e a geopolítica, sendo um construto igualmente histórico, social e literário.