(ITA - 2003 - 1ª FASE)
A questão a seguir refere-se ao texto “Língua”, de Caetano Veloso, exposto abaixo.
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala, Mangueira!
Flor do Lácio, Sambódromo
Lusamérica, latim em pó.
O que quer
O que pode
Esta língua?
No texto, Caetano Veloso fala de “paródias”. Em qual das alternativas abaixo o segundo texto NÃO parodia o primeiro?
Penso, logo existo. / Penso, logo desisto.
Quem vê cara não vê coração. / Quem vê cara não vê Aids.
Nunca deixe para amanhã o que pode fazer hoje. / Nunca deixe para amanhã o que pode fazer depois de amanhã.
Em terra de cego, quem tem um olho é rei. / Em terra de cego, quem tem um olho não abre cinema.
Antes só do que mal acompanhado. / Antes mal acompanhado do que só.
Gabarito:
Quem vê cara não vê coração. / Quem vê cara não vê Aids.
a) Alternativa incorreta. Há, claramente, uma paródia entre a primeira frase, do filósofo Descartes, e a segunda.
b) Alternativa correta. Não se trata de uma paródia, considerando que não há nenhum efeito satírico, humorístico. Pode ser, por exemplo, uma frase de conscientização. É, sim, uma referência ao ditado popular, mas não uma paródia dele.
c) Alternativa incorreta. Trata-se de uma paródia que alude à procrastinação.
d) Alternativa incorreta. Trata-se de uma piada em forma de paródia.
e) Alternativa incorreta. A inversão dos termos do ditado causa um efeito humorístico, portanto, trata-se de uma paródia.