(ITA - 2003 - 2ª FASE)
Leia o texto seguinte.
“No dia 13 de agosto de 1979, dia cinzento e triste, que me causou arrepios, fui para o meu laboratório, onde, por sinal, pendurei uma tela de Bruegel, um dos meus favoritos. Lá, trabalhando com tripanossomas, e vencendo uma terrível dor de dentes...” Não. De saída tal artigo seria rejeitado, ainda que os resultados fossem soberbos. O estilo... O cientista não deve falar. É o objeto que deve falar por meio dele. Daí o estilo impessoal, vazio de emoções e valores:
Observa-se
Constata-se
Obtém-se
Conclui-se.
Quem? Não faz diferença...
(RUBEM ALVES. Filosofia da ciência. São Paulo: Brasiliense, 1991, p. 149)
a) Do primeiro parágrafo, que simula um artigo científico, extraia os aspectos da forma e do conteúdo que vão contra a idéia de que “o cientista não deve falar”.
b) O autor exemplifica com uma seqüência de verbos a idéia de que o estilo deve ser impessoal. Que estratégia de construção é usada para transmitir o ideal de impessoalização?
Gabarito:
Resolução:
a) Aspectos que vão contra a ideologia de que "o cientista não deve falar" presentes no primeiro parágrafo são desde a forma, que se assemelha a um diário ou um relato pessoal, ao conteúdo, excessivamente adjetivado (como em "dia cinzento e triste"), com informações irrelevantes para alguém que busca a pesquisa (como "onde, por sinal, pendurei uma tela de Bruegel" ou "vencendo uma terrível dor de dentes").
b) A estratégia utilizada pelo autor é a de utilizar apenas verbos na voz passiva sintética, que não permite a presença do agente da passiva, o que implica foco total na ação, sem a influência do agente, não importando, portanto, quem realizou a ação e nenhum aspecto subjetivo relacionado a ela, elemento o qual se adequa perfeitamente aos requisitos da linguagem científica.