(Pucsp 2006)
A afirmação de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, "Sou o Descobridor da Natureza / Sou o Argonauta das sensações verdadeiras", disseminou-se, ao longo de seus poemas, em expansões exemplificadoras da relação do poeta com a natureza e as coisas. Indique a alternativa que não reflete tal relação.
"Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol.
E a pensar muitas coisas cheias de calor."
"(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina)".
"Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa)..."
"Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais."
"Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem."
Gabarito:
"Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem."
A afirmação de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, "Sou o Descobridor da Natureza / Sou o Argonauta das sensações verdadeiras", disseminou-se, ao longo de seus poemas, em expansões exemplificadoras da relação do poeta com a natureza e as coisas. Indique a alternativa que não reflete tal relação.
Comentário geral: a alternativa E é considerada a correta porque Alberto Caeiro defende uma relação com a natureza e as coisas em geral baseada nas sensações(os cinco sentidos: audição, olfato, visão, tato e paladar), o que se exprime em todas as opções acima , com exceção da letra E, em cujos versos ele confessa descaso com o pensamento alheio e, além disso, insiste na valorização do “pensar sem esforço”, “pensar sem pensamentos” como é apresentado no verso dessa alternativa.