(PUC-PR - 2009)
No livro Discurso do método (1537), Descartes estabeleceu algumas regras para bem conduzir a razão.
I. Somente acolher alguma coisa como verdadeira após conhecê-la de maneira evidente.
II. Somente acolher como falso aquilo que foi estabelecido empiricamente como falso.
III. Dividir cada dificuldade a ser examinada em quantas partes forem possíveis e necessárias para resolvê-la.
IV. Refletir, antes de tudo, sobre as dificuldades em seu aspecto global; privilegiar sempre o todo em detrimento das partes.
V. Conduzir em ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais complexos compostos.
VI. Conduzir em ordem os pensamentos, começando a examinar as coisas a partir da sua importância moral até chegar a sua importância histórica.
VII. Fazer, para todos os procedimentos, revisões e enumerações completas para ter certeza de que nada foi omitido.
VIII. Aceitar a fé como fonte do conhecimento a partir da qual tudo pode ser pensado.
IX. Observar a natureza para aprender a pensar.
Correspondem a todas as regras do método apenas os enunciados:
Gabarito:
I, III, V e VII
Resolução:
b) I, III, V e VII
A questão considera os princípios do método científico de Descartes, descritos no Discurso do Método: regra da evidência, regra da análise, regra da síntese e regra da enumeração.
I. Correta. Somente acolher alguma coisa como verdadeira após conhecê-la de maneira evidente.
Regra da evidência: o conhecimento deve ser claro, distinto e verdadeiro, sem nenhuma sombra de dúvida;
II. Incorreta. Somente acolher como falso aquilo que foi estabelecido empiricamente como falso.
A empiria não é critério de falsidade no contexto do racionalismo, pois a própria experiência é colocada em dúvida.
III. Correta. Dividir cada dificuldade a ser examinada em quantas partes forem possíveis e necessárias para resolvê-la.
Regra da análise: as dificuldades devem ser divididas e separadas, para que cada uma seja melhor resolvida pela separação entre as as partes;
IV. Incorreta. Refletir, antes de tudo, sobre as dificuldades em seu aspecto global; privilegiar sempre o todo em detrimento das partes.
Essa é uma noção associada à filosofia grega, principalmente aristotélica, e não está presente no método cartesiano, que considera a análise detalhada de cada parte.
V. Correta. Conduzir em ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais complexos compostos.
Regra da síntese: o conhecimento deve partir do mais simples ao composto, com a suposição de uma ordem entre estes;
VI. Incorreta. Conduzir em ordem os pensamentos, começando a examinar as coisas a partir da sua importância moral até chegar a sua importância histórica.
Não tem qualquer relação com o método científico cartesiano, que não se inicia da moral e vai até a história.
VII. Correta. Fazer, para todos os procedimentos, revisões e enumerações completas para ter certeza de que nada foi omitido.
Regra da enumeração: enumerar e revisar o conhecimento obtido, para que nada seja omitido.
VIII. Incorreta. Aceitar a fé como fonte do conhecimento a partir da qual tudo pode ser pensado.
A fé não é fonte de conhecimento, mas a razão humana.
IX. Incorreta. Observar a natureza para aprender a pensar.
O exercício do pensamento não está submetido à mera observação da natureza, antes, constitui-se como algo sólido em si mesmo, independente da natureza física.