(PUC GO - Adaptada) O Texto 1 apresenta no seu primeiro verso uma das temáticas que norteiam bem a situação do homem contemporâneo: a angústia. É interessante observar que esse tema ganha força na atualidade, principalmente pelo viés do consumo. Veja o fragmento abaixo:
“Diante de um mercado forte e diversificado, o homem da sociedade contemporânea é continuamente bombardeado por sedutoras peças publicitárias que prometem bem-estar, status, conforto, projeção imediata e ilusão de segurança. Com a chegada das festas de fim de ano, a lógica do 'consumo, logo existo', segundo a qual o bem-estar é conquistado pela aquisição de produtos, se torna ainda mais evidente. Em casos extremos, a compulsão por compras pode se tornar patológica."
(Disponível em: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/cons.... Acesso em: 3 jan. 2015. Adaptado.)
Sobre essa temática (angústia) que envolve o homem e o fragmento anterior, analise as proposições a seguir:
I - Nietzsche, um dos pensadores mais importantes do século XIX, retorna até os gregos para defender Sócrates; afinal, ele foi o primeiro a encaminhar a reflexão moral em direção ao controle racional das paixões. Ele orienta seus escritos na direção de subjugar pela razão as forças vitais, instintivas, pois só ela garante o bom e o valoroso. E, portanto, a razão consegue pôr um fim à angústia humana.
II - Kierkegaard, filósofo dinamarquês do século XIX, foi o primeiro a descrever a angústia como experiência fundamental do ser livre ao se colocar em situação de escolha. Para ele, a existência é permeada de contradições que a razão é incapaz de solucionar. A solução da contradição se daria pela paixão.
III - Hegel é um dos filósofos que ajudam a fortalecer a ideia Kierkegaardiana quando, em sua obra Fenomenologia do espírito, trata sobre como solucionar os conflitos do ser humano por meio do conceito. Hegel acredita e defende que a angústia precede o ato livre. Para ele, o ser humano é visto como ser existente.
Em relação às proposições analisadas, assinale a alternativa correta:
Somente o item I.
Somente o item II.
Somente o item III.
Somente os itens II e III.
Somente os item I e III.
Gabarito:
Somente o item II.
b. Somente o item II.
I. Falsa. Nietzsche, de fato, um dos pensadores mais importantes do século XIX, na verdade, retorna até os gregos para fazer uma análise crítica da orientação apolínea e ordenadora de Sócrates, com o intuito de criticar a reflexão moral do filósofo em direção ao controle racional das paixões. Sócrates de fato orienta seus escritos na direção de subjugar pela razão as forças vitais, instintivas, sob a perspectiva de que só ela garante o bom e o valoroso. Porém, Nietzsche, como um filósofo que busca resgatar a dimensão dionisíaca na filosofia, isto é, as paixões, o caos, a vitalidade e a arte, critica a orientação apolínea da filosofia, iniciada por Sócrates. Ambos os filósofos não tecem nenhuma análise da angústia.
II. Verdadeira. O filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard analisou o tema em sua obra Conceito de Angústia, de caráter tanto filosófica quanto psicológica, tratando a angústia como experiência fundamental da liberdade ao se colocar em situação de escolha perante a infinidade de possibilidades. A angústia é um medo sem foco, disperso. Ele exemplifica-a com um homem na beira de um precipício, perante a dupla sensação do medo de cair abaixo e o impulso de pulá-lo; essa sensação é a liberdade do homem.
III. Falsa. De fato, Kierkegaard dialogara com a obra hegeliana. Em sua juventude, na Universidade, fora hegeliano, porém abandonara as ideias racionalistas e sistemáticas de Hegel, e passara a criticar a proposta do filósofo, de construir um sistema filosófico fechado e completo. Kierkegaard recusava grandes sistemas de pensamento que se encerravam em si mesmos, como o de Hegel. As noções descritas não são de Hegel, mas de Kierkegaard.