(PUC/PR - 2017) Com a formação dos Estados nacionais europeus, surgiu em vários países um sistema de governo centralizado denominado de “monarquia absoluta”. Sobre o caráter desse sistema de governo, diz o historiador Perry Anderson:
“(...) De fato a monarquia absoluta no ocidente foi, portanto, sempre duplamente limitada: pela persistência de corpos políticos tradicionais colocados abaixo dela e pela presença de uma lei moral situada acima. Por outras palavras, a dominação do Absolutismo exerceu-se, no fim das contas, necessariamente nos limites da classe cujos interesses ele preservava.”
ANDERSON, Perry. “Classes e Estados – problemas de periodização.” In: HESPANHA, António Manuel. Poder e instituições na Europa do Antigo Regime. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1984, p. 133.
Considerando o texto, assinale a alternativa CORRETA.
Na monarquia absolutista, o poder político era igualmente dividido entre o monarca, a aristocracia e o clero, sendo que os plebeus ficavam completamente excluídos.
A formação das monarquias absolutistas corresponde ao crescimento de poder da classe burguesa, pois com os impostos vindos do crescimento do comércio e da navegação, o rei tornou-se dependente dessa classe.
Na monarquia absolutista, o poder real era exercido com certos limites, oferecidos pela aristocracia, classe que participava do poder político, e pela Igreja, que oferecia as bases morais para o sistema.
No momento da formação dos Estados nacionais europeus, o poder da Igreja cresceu, fazendo com que os reis precisassem se submeter ao poder papal.
No sistema de governo da monarquia absolutista, apesar da centralização política, o rei tinha sempre os seus poderes limitados por uma constituição, à qual deveria obedecer.
Gabarito:
Na monarquia absolutista, o poder real era exercido com certos limites, oferecidos pela aristocracia, classe que participava do poder político, e pela Igreja, que oferecia as bases morais para o sistema.
Esta é uma questão puramente de interpretação de texto e pede a definição de absolutismo segundo o texto do historiador Perry Anderson e ele considera o absolutismo, na prática, limitado. Na teoria o poder era exclusivo ao rei, contudo, na prática, ele precisa de apoio e alianças para exercer o seu poder. Com ascensão das monarquias europeias, a figura do rei era tida como uma entidade absoluta e responsáveis por diversas diretrizes da nação (aspectos econômicos, políticos, sociais e outros). Porém, para conseguir governar com plenos poderes era necessário a aliança de outros setores sociais influentes, como o clero e a nobreza, para a manutenção do seu poder. Em termos práticos, o rei não governava totalmente sozinho, era necessária a aliança estratégica para a manutenção do poder. O caso mais extremo de absolutismo que temos, o que praticamente não contou com limitações foi o de Louis XIV na França.
a) Na monarquia absolutista, o poder político era igualmente dividido entre o monarca, a aristocracia e o clero, sendo que os plebeus ficavam completamente excluídos.
Incorreta. O poder não era igualmente dividido entre o monarca, a aristocracia e o clero, o poder de decisão estava majoritariamente concentrado nas mãos do rei.
b) A formação das monarquias absolutistas corresponde ao crescimento de poder da classe burguesa, pois com os impostos vindos do crescimento do comércio e da navegação, o rei tornou-se dependente dessa classe.
Incorreta. Esta alternativa se complica ao que dizer que "a formação das monarquias absolutistas corresponde ao crescimento de poder da classe burguesa". O estabelecimento das monarquias absolutistas são anteriores aos "impostos vindos do crescimento do comércio e da navegação". A monarquia absolutista é estabelecida por meio de alianças entre a Igreja e a nobreza que permitem a centralização completa do poder nas mãos do rei. É apenas após o estabelecimento deste governo forte e centralizado que há o incentivo às navegações o que permite o crescimento da burguesia e sua importância na economia. É só lembrar um dos fatores que proporcionou o pioneirismo português: foi a primeira monarquia ibérica a se unificar e estabelecer como um Estado nacional moderno.
c) Na monarquia absolutista, o poder real era exercido com certos limites, oferecidos pela aristocracia, classe que participava do poder político, e pela Igreja, que oferecia as bases morais para o sistema.
Correta.
d) No momento da formação dos Estados nacionais europeus, o poder da Igreja cresceu, fazendo com que os reis precisassem se submeter ao poder papal.
Incorreta. No absolutismo a Igreja está submissa ao rei, cabe a esta apenas dar a base moral para a população e legitimar o poder do rei. Em alguns casos de absolutismo é até mesmo o rei quem escolhe as autoridades religiosas.
e) No sistema de governo da monarquia absolutista, apesar da centralização política, o rei tinha sempre os seus poderes limitados por uma constituição, à qual deveria obedecer.
Incorreta. O poder do rei no absolutismo não é limitado por uma constituição, o rei é quem define as leis. “Uma fé, uma lei, um rei”.