(PUC/Campinas - 2018)
Um espelhamento multiplicativo e fragmentário da vida moderna já está representado nos manifestos do modernismo de 22, nos quais Mário de Andrade e Oswald de Andrade defendiam, em linguagem recortada, pontos revolucionários de uma nova estética, de que é exemplo este fragmento do Manifesto Antropófago:
Não me importa a beleza: quero distrair-me com aventuras, duelos, viagens, odisseias, questões em que os bons triunfam e os malvados acabem por ser devidamente justiçados.
Sou pouco afeiçoado à natureza, que em mim se reduz quase que a uma paisagem moral, íntima, em dois ou três tons, só que latejante em todas as suas partículas.
Penso que a poesia deve propor não só um conhecimento mas ainda uma transfiguração da condição humana, elevando-nos a um plano espiritual cada vez mais alto.
Enfim, a poesia é revolucionária graças à sua essência cristã, essência cristã que sempre existiu mesmo nos verdadeiros poetas anteriores a Cristo.
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
Gabarito:
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
Resposta: [E]
O Manifesto Antropófago propunha basicamente “devorar” a cultura e as técnicas importadas, defendendo a cultura nacional diante da cultura europeia, responsável pela colonização das terras descobertas. A linguagem do manifesto é majoritariamente metafórica, contendo fragmentos poéticos bem-humorados em frases curtas, retratando a fragmentação e a geometrização da realidade por meio da linguagem com palavras soltas e dispostas no papel a fim de conceber uma imagem aleatória, como se apresenta em [E].