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Questão 68504

UDESC 2019
Sociologia

(UDESC 2019) Leia o trecho a seguir:

― Não existe democracia racial efetiva, onde o intercâmbio entre indivíduos pertencentes a raças distintas começa e termina no plano da tolerância convencionalizada. Esta pode satisfazer as exigências do bom-tom, de um discutível espírito cristão e da necessidade prática de manter cada um no seu lugar. Contudo, ela não aproxima realmente os homens senão na base da mera coexistência no mesmo espaço social e, onde isso chega a acontecer, da convivência restritiva, regulada por um código que consagra a desigualdade, disfarçando-a e justificando-a acima dos princípios de integração da ordem social democrática‖.

Florestan Fernandes, 1960.

Florestan Fernandes se refere à ideia de democracia racial que, durante um período, foi considerada constitutiva da identidade nacional brasileira. Esta tese era caracterizada por:

A

pressupor uma miscigenação harmoniosa entre os diferentes grupos étnicos constitutivos da nação brasileira.

B

apregoar que representantes de todos os grupos étnicos deveriam ter representatividade política em âmbito legislativo.

C

promover a denúncia de práticas racistas contra negros, mulheres e indígenas.

D

reivindicar a instauração de processos e eventuais julgamentos dos responsáveis pelo processo de favelização nas grandes capitais brasileiras, a partir de fins do século XIX.

E

defender as candidaturas plurirraciais nos processos eleitorais, pós 1964.

Gabarito:

pressupor uma miscigenação harmoniosa entre os diferentes grupos étnicos constitutivos da nação brasileira.



Resolução:

a) Correta. O mito da democracia racial defende que a grande convivência e miscigenação (tidas como “harmoniosas”) entre povos de diferentes etnias no Brasil, impede a existência racismo: supostamente, “o intercâmbio entre indivíduos pertencentes a raças distintas começa e termina no plano da tolerância convencionalizada”.

b) Incorreta. A participação política plural não é um ponto que caracteriza a tese de democracia racial. Pelo contrário, seu argumento de “harmonia” acaba por invisibilizar as desigualdades e, consequentemente, barra as possibilidades de mudança desse quadro.

c) Incorreta. Pelo contrário, essa tese acaba disfarçando o racismo para “satisfazer as exigências do bom-tom, de um discutível espírito cristão e da necessidade prática de manter cada um no seu lugar.” 

d) Incorreta. Em nenhum momento o texto menciona especificamente a questão da favelização no fim do século XIX e, ademais, o ideal por trás da tese de democracia racial não reflete alguma preocupação em punir ou reparar as consequências da estrutura racial brasileira.

e) Incorreta. A tese da democracia racial não é pautada pelo interesse de reconhecer politicamente a pluralidade racial, essa pluralidade só é usada como fundamento para desqualificar as denúncias anti-racistas. Ademais, no texto não há menção específica ao contexto eleitoral pós 1964.

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