(UEA - 2013)
A inteligência humana é incapaz de apreender a substância ou a essência íntima de Deus. O nosso conhecimento intelectual tem seu ponto de partida nos sentidos corporais, de tal modo que tudo o que não cai sob o domínio dos sentidos não pode ser apreendido pela inteligência humana, a não ser na medida que os objetos sensíveis permitem deduzir a existência de tais coisas. Ora, os objetos sensíveis não podem conduzir a nossa inteligência a enxergar neles aquilo que constitui a substância ou essência divina, pois se verifica uma diferença de nível entre os efeitos e o poder da coisa. E, todavia, os objetos sensíveis conduzem a nossa inteligência a um certo conhecimento de Deus, até ao ponto de conhecermos que Ele existe.
(Santo Tomás de Aquino. Súmula contra os gentios, 1973. Adaptado.)
Santo Tomás de Aquino (1225-1274) foi teólogo, filósofo e um dos mestres da Escolástica medieval. No excerto, ele sustenta que a inteligência humana, apesar de sua fragilidade, pode levar à comprovação da existência de Deus, considerando que é possível
proceder do efeito para a causa e conhecer a causa do mundo sensível, que é Deus, nas relações que ela estabelece com as suas criações.
deslocar-se do conhecimento da causa que produziu o mundo e tudo que existe para os objetos sensíveis.
ter certeza que a razão humana pode se tornar infalível, caso o fiel esteja isento da poluição do pecado.
concluir que, dado o caráter falível da razão humana, as verdades substanciais encontram-se nos decretos dos governos monárquicos.
sentir a existência divina nos momentos de paz e de alegria interior, em meio às contrariedades da vida e às turbulências do mundo.
Gabarito:
proceder do efeito para a causa e conhecer a causa do mundo sensível, que é Deus, nas relações que ela estabelece com as suas criações.
a) Correta. proceder do efeito para a causa e conhecer a causa do mundo sensível, que é Deus, nas relações que ela estabelece com as suas criações.
Tomás de Aquino, ao construir uma proposta de teologia natural, parte da natureza e daquilo que pode ser conhecido pelos sentidos em direção a Deus, a partir de noções de causa e efeito, fundamentando a existência divina a partir de seus efeitos.
b) Incorreta. deslocar-se do conhecimento da causa que produziu o mundo e tudo que existe para os objetos sensíveis.
O conhecimento que parte de Deus é a revelação, por meio da fé, não aquele proveniente da inteligência.
c) Incorreta. ter certeza que a razão humana pode se tornar infalível, caso o fiel esteja isento da poluição do pecado.
A razão humana não é infalível e nem pode se tornar assim, nem pela certeza humana.
d) Incorreta. concluir que, dado o caráter falível da razão humana, as verdades substanciais encontram-se nos decretos dos governos monárquicos.
A verdade não é determinada pelo poder político para Tomás de Aquino, ao contrário, o poder político que deve ser determinado pela verdade eterna.
e) Incorreta. sentir a existência divina nos momentos de paz e de alegria interior, em meio às contrariedades da vida e às turbulências do mundo.
Essa é uma noção estóica e não tomista.