PROPOSTA DE REDAÇÃO - UECE
Prezado(a) Candidato(a),
Diferentes são as formas de compreender, sentir e definir a solidão. Assim, o sentimento é também uma construção atravessada por questões culturais, sociais e econômicas, dentre outras. Nesta prova de redação, você escreverá sobre a complexidade que envolve a solidão, a partir da relação entre as questões que afligem a juventude na contemporaneidade (tais como relacionamentos; busca por profissão/ desemprego; sexualidade/aceitação etc.). Tomando por base seus conhecimentos sobre a temática, bem como os dois textos motivadores, escolha UMA das propostas a seguir e componha seu texto.
Proposta 1:
Imagine que você foi convidado(a) pelo jornal de sua escola para escrever um artigo de opinião sobre o tema A SOLIDÃO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA. Não esqueça de que esse gênero deve ser redigido no padrão formal de escrita da língua portuguesa.
Proposta 2:
Suponha que você foi convidado(a) a participar de um projeto da escola, cujo objetivo é descobrir histórias de pessoas que, com as intempéries da vida, lidaram com a solidão. Você escreverá a história de uma dessas pessoas para ser publicada no jornal da escola. Utilize o padrão formal de escrita da língua portuguesa.
TEXTO I
O tema solidão tem sido assunto cada vez mais frequente nas diferentes mídias, expressando o que se nota nas conversas entre amigos, nos encontros com profissionais e idosos e nos trabalhos acadêmicos da área gerontológica. Observa-se que na sociedade contemporânea, hiperconectada, o tema da solidão é cada vez mais objeto de discussão e debates, indicando que em todas as idades os indivíduos sentem-se sós. Em recente estudo realizado na Inglaterra, envolvendo 55 mil participantes, constatou-se que maior índice de solitários estava na faixa de 16 a 24 anos (40%) enquanto apenas 27% dos participantes com mais de 75 anos diziam sentir solidão com frequência ou muita frequência.
[...]
Como devemos agir se percebemos que alguém próximo sofre com este sentimento – possível gerador de doenças e que pode levar até ao suicídio ou morrer e ser descoberta uma década depois, mumificada, como aconteceu com Isabel Rivera Hernández (nascida em 1926), proprietária fantasma de um apartamento no bairro madrilenho de Arturo Soria. O corpo de Isabel Rivera Hernández foi preservado nesse estado porque ela morreu de morte natural no banheiro, onde havia as condições ideais de umidade e ventilação que favoreceram sua mumificação. A reportagem sobre o caso dizia que depois da morte do marido, ela ficou sozinha, e o pouco contato com a família foi diminuindo até que acabou. Ela tampouco falava com ninguém no prédio, exceto com uma vizinha com quem discutia sobre barulhos e odores. O único que poderia ter notado sua ausência seria o porteiro, mas seu trabalho foi dispensado quando o porteiro automático ficou na moda.
Disponível em: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/solidao-desafio-contemporaneo/. Acesso em: 22/08/2023.
TEXTO II
Uma das principais dificuldades quando pensamos no impacto da solidão está em definir exatamente o que é esse incômodo.
“O sentimento de solidão é uma experiência individual. Não basta estar isolado, afinal muitas pessoas que estão sozinhas não se sentem necessariamente solitárias. E, na contramão, tem gente que está no meio de outros indivíduos, mas isso não é garantia que elas se sintam conectadas”, reflete o psiquiatra Lucas Spanemberg, pesquisador do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
“A solidão é uma sensação de desconexão, de não pertencimento a um grupo social, que traz implicações emocionais e comportamentais — e isso está relacionado a uma série de desfechos negativos do ponto de vista da saúde mental e física”, complementa ele.
Essa relação entre solidão e prejuízos ao corpo e à mente está bem documentada numa série de pesquisas. Uma delas, feita em 2010 na Universidade Brigham Young, dos Estados Unidos, revelou que indivíduos com relações sociais fortes têm 50% mais chance de sobreviver por mais tempo em comparação àqueles que interagem menos com o meio onde vivem.
E a necessidade de manter essa conexão está praticamente inscrita na origem de nossa espécie, como explica Spanemberg. “Os seres humanos foram programados geneticamente para viver em sociedade e integrar grupos. Durante os primeiros anos de vida, somos muito frágeis e indefesos, portanto precisamos de um núcleo coeso capaz de proteger a prole”, diz o médico, que também atua no Hospital São Lucas, em Porto Alegre.
“E essa coesão social forma famílias, grupos, sociedades, países…”, lista ele.
O especialista também chama a atenção para um acompanhamento de centenas de indivíduos realizado pela Universidade Harvard, nos EUA, há 80 anos.
“Os autores desse levantamento observaram que o fator mais importante para sentir-se feliz no final da vida não era sucesso financeiro, emprego dos sonhos, fama ou dinheiro, mas, sim, coesão social”, diz Spanemberg.
“A grande variável associada à sensação de felicidade foi justamente ter relações importantes e significativas ao longo da vida”, completa ele.
Disponível em: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/solidao-desafio-contemporaneo/. Acesso em: 22/08/2023
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