Publicidade
Publicidade

Questão 68203

UECE 2020
Filosofia

(UECE - 2020)

O trecho que se apresenta a seguir trata da compreensão de Agostinho de Hipona sobre a origem do mal e do pecado:
“Logo só me resta concluir: tudo o que é igual ou superior à mente que exerce seu natural senhorio e acha-se dotada de virtude não pode fazer dela escrava da paixão. Não há nenhuma outra realidade que torne a mente cúmplice da paixão a não ser a própria vontade e o livre-arbítrio”.

Santo Agostinho. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. P.52.

No que diz respeito ao conceito de livre-arbítrio e à origem do mal na obra filosófica de Agostinho de Hipona, considere as seguintes afirmações:

I. Para Agostinho, o livre-arbítrio é sempre um bem concedido ao homem por Deus, mesmo que o homem utilize-o de forma errônea, o que provoca o mal.
II. Em concordância com a tradição dos pensamentos maniqueísta e neoplatônico, Santo Agostinho defendia a visão dualista de um mundo em perpétua luta entre o Bem e o Mal.
III. Segundo o bispo de Hipona, o mal não possui ser, não pertence à ordem, ele é a corrupção do ser e é de inteira responsabilidade do homem, enquanto ser livre.

É correto o que se afirma em

A

II e III apenas.

B

I e II apenas.

C

I e III apenas.

D

I, II e III.

Gabarito:

I e III apenas.



Resolução:

c) I e III apenas.

 

I. Para Agostinho, o livre-arbítrio é sempre um bem concedido ao homem por Deus, mesmo que o homem utilize-o de forma errônea, o que provoca o mal.
Na obra "Livre Arbítrio", Agostinho pretende explicar a questão do mal a partir da noção de livre-arbítrio dada à vontade humana, responsável por seus atos.

II. Em concordância com a tradição dos pensamentos maniqueísta e neoplatônico, Santo Agostinho defendia a visão dualista de um mundo em perpétua luta entre o Bem e o Mal.
Essa é, na verdade, uma concepção que Agostinho criticava no maniqueísmo, uma seita filosófica a qual ele havia aderido antes de sua conversão ao cristianismo. O mal, enquanto princípio ontolológico, supõe a existência de uma substância má, que, para existir, ou é um princípio mal criado por Deus, sendo totalmente bom — contradição que o filósofo patrístico não pode aceitar — ou um princípio independente, em oposição ao Deus, como um princípio bom (a teoria das duas substâncias, Bem e Mal, em perpétua luta) — noção igualmente rejeitada por ele, pois isso limitaria o poder e a unidade de Deus.

III. Segundo o bispo de Hipona, o mal não possui ser, não pertence à ordem, ele é a corrupção do ser e é de inteira responsabilidade do homem, enquanto ser livre.
Na perspectiva do filósofo, o mal só existe como privação ou ausência do bem, logo, o mal não é uma substância, mas uma corrupção na substância, como, por exemplo, a escuridão não é algo, mas ausência de luz. O mal, portanto, é caracterizado a partir de uma ausência do Bem, isto é, privação de Deus, no âmbito da vontade humana, que, corrompida, estaria desordenada e, por ela, o mal seria gerado; ou seja, o mal, como privação do bem, caracteriza-se como uma desordem no interior humano e na realidade externa.

Questões relacionadas

Questão 68055

(Uece 2020) Leia a seguinte passagem, que relaciona o regramento democrático ao desenvolvimento de uma prática social baseada na razão: “A democracia representa exatamente...
Ver questão

Questão 68690

(UECE - 2020) Atente para o seguinte trecho da obra de Francis Bacon: “Nosso método, contudo, é tão fácil de ser apresentado quanto difícil de se aplicar. Co...
Ver questão

Questão 68691

(UECE - 2020) Leia atentamente o trecho a seguir, que é um fragmento do pensamento de Francis Bacon a respeito do processo de conhecimento e da relação entre conhecimento contemp...
Ver questão

Questão 69668

(UECE - 2020) “Toda a obra de Francis bacon se destina a substituir uma cultura do tipo retórico-literário por uma do tipo técnico-científico. Bacon está perf...
Ver questão
Publicidade