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Questão 15176

UEL 2007
Filosofia

(UEL - 2007)

Na segunda seção da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant nos oferece quatro exemplos de deveres. Em relação ao segundo exemplo, que diz respeito à falsa promessa, Kant afirma que uma “pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: Não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: Quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá”.

Fonte: KANT, I. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução de Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p. 130.

De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a moral kantiana, considere as afirmativas a seguir:

I. Para Kant, o princípio de ação da falsa promessa não pode valer como lei universal.
II. Kant considera a falsa promessa moralmente permissível porque ela será praticada apenas para sair de uma situação momentânea de apuros.
III. A falsa promessa é moralmente reprovável porque a universalização de sua máxima torna impossível a própria promessa.
IV. A falsa promessa é moralmente reprovável porque vai de encontro às inclinações sociais do ser humano.

A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é:

A

I e II

B

I e III

C

II e IV

D

I, II e III

E

I, II e IV

Gabarito:

I e III



Resolução:

b) I e III

 

I. Correta. Para Kant, o princípio de ação da falsa promessa não pode valer como lei universal.
O prisma da lei universal de Kant, o imperativo categórico é: “Viva sua vida como se cada ato se tornasse uma lei universal”. A falsa promessa do pagamento ilustra o modo como essa prática não pode ser universalizada, pois é uma prática imoral que não pode ser aplicada a todas as pessoas. Para Kant, o princípio supremo da moral é o dever. Ou seja, a falsa promessa de pagamento se opõe ao agir por dever, e se estrutura pela utilidade, mas não a falta do pagamento em si, desde que se evidencie a impossibilidade de poder pagar pelo empréstimo.

II. Incorreta. Kant considera a falsa promessa moralmente permissível porque ela será praticada apenas para sair de uma situação momentânea de apuros.
Praticar algo para sair do apuros é ter uma ética determinada por contingências empíricas. Kant quer livrar a ética dessa condição.

III. Correta. A falsa promessa é moralmente reprovável porque a universalização de sua máxima torna impossível a própria promessa.
Uma prática moral cuja universalização implica em contradição não pode ser universalizada.

IV. Incorreta. A falsa promessa é moralmente reprovável porque vai de encontro às inclinações sociais do ser humano.
Kant não dá fundamentos sociais, isto é, consequencialistas, à sua ética.

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